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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Línguas - uma análise teológica e exegética

Glossolalia
Por José Gonçalves

 O falar em línguas desconhecidas como aparece no Novo Testamento é um fenômeno característico da Nova Aliança. A profecia registrada no Velho Testamento, prevendo o aparecimento desse fenômeno (Is 28.11), tem o seu cumprimento na efusão do Espírito Santo na igreja emergente (1 Co 14.21). Paulo diz que nesse caso as línguas constituíam um sinal de Deus para o mundo incrédulo. Quando o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto, instruindo-a sobre o falar em línguas, alguns anos já haviam se passado desde o dia de pentecostes. Foi nesse dia que Jesus cumpriu a sua promessa de batizar os crentes no Espírito Santo (At 1.5; 2.4). No dia de pentecostes o Espírito Santo foi derramado sobre os primeiros cristãos. De acordo com o registro sagrado fenômenos como “som de um vento impetuoso”, e “línguas como de fogo” (At 2.1-3) foram percebidos naquele dia. Mas além desses fenômenos, um outro: o falar em línguas desconhecidas prendeu a atenção dos que ali se encontraram (At 2.4-11). Desses fenômenos ocorridos com a vinda do Espírito Santo no dia de pentecostes, somente o falar em língua se repetiria em outras ocasiões (At 2.4; 10.44-46; 19.1-6). Não parece haver dúvida alguma que as narrativas de Lucas em Atos dos Apóstolos tencionam mostrar que o falar em línguas é uma marca distintiva da vinda do Espírito Santo. Não há como negar que as narrativas de Lucas têm um caráter didático. Ele mostra que foi assim em Jerusalém (At 2.4); na casa de Cornélio (At 10.44-46) e com os crentes de Éfeso (At 19.1-6). Em Samaria há também o registro dos apóstolos orando para que os samaritanos “recebessem o Espírito Santo” (At. 8.14-18). O texto não faz referência ao falar em línguas nessa ocasião, mas muitos eruditos acreditam que o fenômeno tenha ocorrido, sendo que a omissão do detalhe é apenas um recurso estilístico de Lucas. No seu livro de história da igreja ele costuma omitir informações que já deixou subtendido noutro ponto. Ao comentar essa passagem A. T Robertson diz que o texto deixa claro “que aqueles que receberam o dom do Espírito Santo falaram em línguas”. Robertson, considerado mundialmente como a maior autoridade em grego do século XX, observa que Simão viu o poder do Espírito sendo transferido aos outros, o que fez ele querer possuir esse novo poder. Fora do registro histórico de Atos, a epístola aos Coríntios deixa claro que o falar em línguas era uma experiência comum e esperada entre os primeiros crentes. De fato o tempo verbal grego, presente do indicativo, usado por Paulo em 1 Co 14.5 diz literalmente: “Quero que todos vós continuem com o falar em línguas” (gr. Thelo de panta lalein glossais). Paulo sabia que o falar em línguas era uma prática da igreja dos seus dias, e ele mesmo fazia exercício dela (1 Co 14.18). Na verdade esse dom ficou tão em evidência na igreja de Corinto que o apóstolo se viu no dever de dar regulamentação para seu uso. Corria o risco dessa manifestação do Espírito suprimir as demais (1 Co 12-14).