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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Línguas Desconhecidas - muito mais do que um fenômeno meramente línguístico

Falar em Línguas - Uma tolice?
Por Merlin Carothers

O culto era bem diferente do que estava acostumado. Os crentes cantavam com uma alegria descontraída, batiam palmas e até mesmo levantavam os braços quando cantavam. Tanto Dick quanto eu sentíamo-nos desajustados, mas concordei que havia ali um certo gozo que nunca experimentáramos e o qual bem precisávamos conhecer. Uma senhora de aparência fina dirigiu-se a nós varias vezes e perguntou: “Já aconteceu alguma coisa?” “Não, senhora. O que quer dizer com isso?” Respondíamos. “Vocês verão; vocês verão”, dizia. Ruth e as outras pessoas que nos haviam convidado a ir ali sugeriram que fossemos falar com uma certa senhora que diziam possuir um poder incomum. Apresentaram-nos a ela e de imediato não gostei. Ela mencionava as Escrituras de uma maneira que parecia querer converter-me. Não gostava quando pessoas citavam a Bíblia daquele modo para mim e principalmente não gostava que uma mulher o fizesse. Nossos amigos, porém, insistiam que tivéssemos uma conversa com ela, e como eles tinha pago tudo para nós, sentir que devia dar-lhe esta satisfação. Sentamo-nos a ouvir pacientemente, e ela nos contou o que Deus havia feito em sua vida e na vida de outros. Mencionou várias vezes o “batismo no Espírito Santo” e nos mostrou na Bíblia que essa experiência tinha sido comum entre os crentes do primeiro século. “O Espírito Sant ainda realiza a mesma obra hoje”, disse. “Jesus Crista ainda batiza com o Espírito Santo aqueles que crêem nele, exatamente como o fez no dia de Pentecostes.” Senti uma ponta de vibração. Será que eu poderia experimentar o meu próprio pentecostes? Será que poderia ver as línguas de fogo, ouvir o vento impetuoso, e falar em outras línguas? Ela terminou de falar e ficou olhando para nós. “Eu gostaria de orar pelos senhores”, disse suavemente, “para que recebam o batismo com o Espírito Santo.” Sem hesitação eu disse sim. Ela colocou as mãos sobre a minha cabeça e começou a orar. Eu esperava que algo me atingisse. Nada aconteceu. Não senti nada. Ela colocou as mãos na cabeça de Dick. Quando acabou de orar olhei para ele e ele olhou para mim. Percebi também que ele não tinha sentido nada. O negócio era falso. A senhora olhou para nós com um leve sorriso. “Ainda não sentiram nada, já?” Balançamos a cabeça em negativa. “Não, senhora.” “Vou orar pelos senhores numa língua estranha também.” Novamente ela impôs as mãos sobre a minha cabeça. Não senti, não vi e nem ouvi nada. Quando acabou de orar, ela me perguntou se eu não ouvia ou sentia dentro de mim umas palavras que não compreendia. Pensei um pouco, e percebi que realmente havia em minha mente umas palavras que não significavam nada. Estava certo de eram apenas produto de minha imaginação e disse-o a ela. “Se o senhor as dissesse em voz alta, sentir-se-ia ridículo?” “Certamente que sim.” “Estaria disposto a ser ridículo por amor a Cristo?” Esta pergunta colocava a questão sob um prisma inteiramente diferente. Naturalmente eu faria qualquer coisa por Cristo, mas falar em voz alta uma tolice tal poderia ser a destruição do meu futuro. Eu imaginava aquelas pessoas saindo dali e contando a todo mundo que o capelão metodista tinha recebido o dom de línguas. Podia até ser que eu tivesse que deixar o exército! Mas, e se isto fosse exatamente o que Deus queria que eu fizesse? De repente, até minha carreira pareceu de pouca importância. Ainda hesitante, comecei a falar as palavras que estavam na minha mente mesmo assim não senti nada de diferente. Eu cria que Jesus Cristo havia me dado uma nova língua como sinal de que havia me batizado com o Espírito Santo; entretanto, os discípulos, no dia de pentecostes, haviam agido como bêbados. Certamente eles estavam tomados por um certo sentimento. Olhei para Dick. Ele fazia o mesmo que eu. Falava palavras numa língua estranha e parecia crer na validade da experiência e, no entanto, não mostrava nenhuma reação emocional. “A experiência baseia-se na fé em um fato, não em sentimento”, disse aquela senhora, aparentemente lendo a nossa mente. Fiquei pensativo – não me sentia diferente; mas estava diferente? Levantei os olhos; subitamente compreendi uma coisa: “Eu sei que Jesus Cristo está vivo!” disse. “Eu não apenas creio; eu SEI!” Mas, naturalmente! O Espírito Santo dá testemunho de Jesus Cristo, diz a Bíblia. Agora eu sabia que aquilo era verdade. Aqui estava a fonte da grande autoridade dos discípulos após o pentecostes. Eles não apenas se lembravam de um homem que tinha vivido, morrido e ressuscitado. Eles o conheciam no presente porque ele os tinha enchido com o seu Espírito Santo, cujo propósito essencial é testemunhar de Jesus Cristo. Como um raio, compreendi o horror de que eu havia sido culpado durante os últimos anos. Não somente eu, mas milhares de crentes, nos púlpitos e nos bancos, cometem o erro de diluir a mensagem da cruz, e tirar Cristo da posição central que deve ocupar. Ao mesmo tempo que via a enormidade de meu pecado, vi também a Jesus Cristo em todo o seu esplendor, como meu redentor. Vi-o como bem no fundo do meu coração eu sabia que ele era. Todas as dúvidas inquietantes que tivera recentemente foram varridas por uma onda de alegre certeza. Aquilo era glorioso demais! Nunca mais duvidaria que Jesus Cristo era quem afirmara ser. Nunca mais iria cometer a insensatez de pensar que ele era apenas um homem, um homem bom e um exemplo para nós seguirmos. Que verdade maravilhosa! Jesus Cristo vivendo em nós, seu poder operando através de nós. Ele é a videira; sua vida é a nossa própria vida. Sem ele nada somos; em nosso próprio poder não conseguiríamos realizar nada. “Obrigado, Senhor Jesus.” Levantei-me, e quando estava de pé, algo veio a mim. Fui subitamente cheio, até transbordar, de um sentimento de calo humano e amor para com todos aqueles que estavam naquele aposento. Dick também deve tê-lo recebido no mesmo momento. Vi lágrimas se formando em seus olhos e sem dizer palavra, adiantamo-nos e abraçamo-nos fortemente, chorando e rindo ao mesmo tempo. Olhei para a querida irmã com quem momentos antes tinha antipatizado e compreendi que a amava. Ela era minha irmã em Cristo. Descemos para almoçar e senti um amor transbordante por todos aquele que eu via. Nunca sentira aquilo antes. Naquela mesma noite, eu e Dick entramos numa das salas para orar. Algumas pessoas se uniram a nós e, em pouco, a sala estava cheia. Enquanto orávamos outros foram cheios do Espírito Santo. Por todo o hotel ressoaram gritos de alegria à medida que uns e outros experimentavam a plenitude da presença de Cristo. Às duas da madrugada eu e Dick tentamos ir dormir. Não adiantava tentar, estávamos por demais alegres. Eu disse: “Vamos levantar e orar mais.” Oramos mais duas horas, suplicando a Deus por todos os nossos conhecidos e depois louvamo-lo por sua bondade para conosco.”