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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Quebrando o Laço do Diabo - por que muitos cristãos são derrotados.

                A Peneira do Diabo
                     Por que muitos são reprovados!


Um dia quando estudava a Bíblia veio-me a ideia de fazer um estudo sobre a vida do apóstolo Pedro. Posteriormente fiz isso com outras personagens bíblicas. Eu queria descobrir mais a fundo aquilo que a Escritura dizia sobre esse extraordinário homem de Deus. Tomei em mãos uma boa concordância e me debrucei sobre o texto bíblico. Estudei todas as passagens dos evangelhos que faziam menção direta ou indiretamente a sua vida. O resultado demonstrou ser para mim muito edificante, pois a medida que eu estudava muitos fatos até então desconhecidos passaram a ser revelados.
Uma das passagens que logo me chamou a atenção foi aquela onde Pedro é avisado pelo Senhor sobre o plano de Satanás para cirandar a sua vida:
“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos. Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte. Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante” (Lc 22.31-34).
Satanás pede aqui para peneirar a vida de Pedro! Ele acreditava que aquilo que Pedro aparentava ser não passava de palha. A sua peneira mostraria isso! Em seu comentário de Lucas, o expositor bíblico Leon Morris lança luz sobre o entendimento dessa passagem:
“Na petição de Satanás para vos peneirar, este plural inclui todos os discípulos. O grego parece significar “Satanás vos obteve mediante pedido”: há o pensamento de que a petição foi concedida. Ele pode pedir, mas é Deus quem é supremo. Segue-se as provas e os testes que vêm ao povo de Deus somente são aqueles que ele permite. A metáfora de peneirar como trigo não tem paralelo, mas é obvio que significa grandes provações. Havia um futuro turbulento diante do pequeno grupo, e especialmente diante de Pedro. A repetição que Jesus fez do nome do Seu servo, Simão, Simão, dá ênfase solene às palavras que se seguiam. Jesus continua, assegurando Pedro que ele orara por ele (o singular indica oração especificamente por Pedro). Nota-se que o Mestre não pediu que Seu servo fosse libertado de apuros. Enfrentar a dificuldade e a adversidade faz parte integrante do caminho cristão. A qualidade da fé de Pedro em tais circunstâncias é importante. Agora ele recebe a certeza da poderosa intercessão em prol dele. Jesus fica confiante do resultado final, e fala do tempo em que te converteres, ou, conforme a maneira de Rieu traduzi-lo: “uma vez que tenhas voltado sobre teus passos.” Para aquela ocasião, Pedro recebe o mandamento: fortalece os teus irmãos. Aquele que passou por águas profundas tem a experiência que o capacita a ajudar a outras pessoas”.[1]
Quando redijo estas linhas, vem-me à lembrança a vida e ministérios de homens que foram extraordinariamente usados por Deus, mas que agora estão fora de combate. O que aconteceu com eles? Foram peneirados! O pastor David Wilkerson possui um sermão baseado nessa passagem de Lucas 22.31-34, que soa como um toque de alerta de uma poderosa trombeta para os cristãos hoje. Satanás quer nos peneirar! Quer nos ver destruídos!
Mas antes de nos deter nos detalhes desse texto, desejo compartilhar aquilo que descobri com o discipulado de Pedro e como isso pode nos ajudar a enfrentar essa peneira! É durante esse discipulado que Simão Barjonas aprende os fundamentos de uma autêntica vida cristã. É isso que Leon Morris chama de “qualidade de fé de Pedro”. Esses mesmos fundamentos nos prepararão para enfrentar as provas da vida.
A primeira lição que o discipulado de Pedro nos ensina é que o pecado do sujeito é mais perigoso do que o pecado do objeto (Mt 15.10-20).
“E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei: não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem. Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco. Então, lhe disse Pedro: Explica-nos a parábola. Jesus, porém, disse: Também vós não entendeis ainda? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso? Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina” (Mt 15.10-20).
Você observou que Pedro foi o primeiro a tomar a iniciativa em querer saber o sentido da metáfora? Pedro queria saber o sentido da parábola e o Senhor lhe explicou! Jesus ensinou que a santidade é mais interna do que externa. O mais grave não é a falta de limpeza de um objeto, mas a falta de pureza da pessoa que o manuseia. Os fariseus estavam preocupados com as mãos que ficaram sem lavar, mas Jesus mostrou que males maiores estão em uma alma impura! Muitos valentes caem porque o seu conceito de santidade é apenas externo, não tomando cuidado com suas inclinações internas. A.W. Tozer diz que o alvo do cristão não deve ser a felicidade, mas a santidade!
 Em segundo lugar, observamos que o discipulado de Pedro nos ensina que Cristo é a igreja, mas a igreja nem sempre é Cristo (Mt 16.13-20):
“Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.  Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo” (Mt 16.13-20).
Uma correta compreensão do que seja a igreja do Senhor é fundamental para todo cristão. Para os pastores essa é uma questão de vida ou morte. Toda distorção do evangelho de Cristo vem como consequência de um entendimento do que é a igreja de Cristo. As consequências dessa falta de entendimento abre portas para os erros doutrinários, ventos de doutrinas, heresias e apostasia. Por isso não podemos minimizar essa questão.
Pedro mais uma vez estava interessado na verdade de Deus e recebeu a revelação do Senhor sobre a verdadeira identidade do Messias. O Senhor disse-lhe: sobre “esta pedra edificarei a minha igreja”! Cristo é a pedra, Cristo é a igreja. Cristo é a igreja, mas nem sempre a igreja é Cristo. A igreja deixa de ser Cristo quando ela se fundamenta no homem e não em Deus; deixa de ser Cristo quando troca o poder eterno pelo temporal; deixa de ser Cristo quando passa a ser uma mera organização em vez de ser um organismo; quando troca a função pela forma e quando troca os fins pelos meios. Quando a igreja deixa de ser Cristo, o seu pastor deixa de ser um autêntico ministro da palavra.  

Em terceiro lugar, uma igreja vista como algo reciclado é uma concepção humana, mas vista sem uma cruz é uma concepção maligna (Mt 16.21-23).

“Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens” (Mt 16.21-23).
Nos textos de Mateus 16-13-20, muitos acreditavam que Jesus seria João Batista; Elias; Jeremias ou algum dos profetas! Para eles Jesus seria uma espécie de reciclagem profética! Jesus não censurou-lhes, mas sabia que essa concepção estava errada e por isso quis saber o que achavam os seus discípulos. Logo após a resposta de Pedro, Jesus passa então a mostrar a necessidade que havia dele passar pela cruz. É aqui que Pedro vai muito alem de uma concepção humana sobre o Messias para revelar uma concepção totalmente maligna. Satanás, se valendo da falta de vigilância de Pedro, defende um cristianismo sem cruz. Um cristianismo sem cruz não é cristianismo bíblico, mas um produto do inferno. Muitos valentes precisam saber disso para não cair nas malhas do maligno! Hoje o evangelho mais pregado é aquele onde a cruz está ausente e infelizmente muitos se encantam com sua mensagem!

Em quarto lugar, o cristianismo bíblico é melhor entendido como um processo de metamorfose e não de osmose (Mt 17.1-6).

“Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo” (Mt 17.1-6).
No livro Porção Dobrada – uma análise bíblica, teológica e devocional sobre os ministérios proféticos de Elias e Eliseu, fiz um comentário exaustivo sobre esse texto. Mas aqui quero lembrar que o cristianismo autêntico brilha porque é metamorfoseado. Ilustrando isso de uma forma bem prática, é através do processo de metamorfose, que a lagarta é transformada em borboleta. Enquanto a metamorfose é uma transformação, a osmose é apenas uma assimilação. Nesse texto, o apóstolo Pedro viu o Senhor transfigurado, brilhando como a luz! O verdadeiro cristianismo brilha, transfigura e é resplandecente e por isso mesmo é transformador. Ele não é a simples assimilação de elementos de fora, mas a transformação do próprio ser. 

Em quinto lugar, aprendemos que quem dorme na oração não tem como enxergar a tentação (Mt 26.36-46).
A Escritura diz que os discípulos estavam com “olhos pesados”. Nessa ocasião e enquanto o Senhor orava intensamente eles dormiam profundamente. Um dos primeiros sinais de declínio espiritual é logo sentido na vida devocional. Vida devocional pobre é sinal de fracasso espiritual.

Em sexto lugar, Pedro necessitou ter seus pés lavados a fim de que tivesse a sua cabeça limpa (Jo 13.6-9).
A lição aqui era sobre humildade. O temperamento de Pedro necessitava de ajustes e aqui foi uma boa ocasião para mostrar isso. Deus disse a Moisés: Tira as sandálias dos pés porque o lugar em que estás é terra santa” (Ex 3.5). A santidade começa pelos pés! Não podemos ter a cabeça limpa se os nossos pés estão sujos.
Em sétimo lugar, aprendemos que é melhor ouvir a voz de Deus do que o canto do galo (Mt 26.31-35; 26.69-75; Lc 22.31-34).

Diz a epígrafe do texto de Lc 22.31-34: “Pedro é avisado”. Pedro foi alertado sobre os perigos espirituais que corria, mas preferiu ouvir a sua razão que a revelação divina. Pagou caro por isso! Foi despertado pelo canto do galo! Quando o galo cantou a sua consciência despertou. Não teria sido melhor ouvir a voz de Deus do que o canto do galo?
Todos nós somos avisados pelo Senhor quando o perigo se aproxima! A Escritura diz que “Ele tem cuidado de nós” e que “o Senhor sabe livrar da provação o piedoso”. Quando nos recusamos a ouvir esses sinais de alertas, então o caminho inevitável é escutar o canto do galo.
Voltando ao texto da peneira (Lc 22-31-34). Nesse texto observamos que o discipulado de Pedro era importante para corrigir algumas deficiências da sua fé que foram reveladas pelo Senhor.
Em primeiro lugar, Pedro demonstrou presunção – “Estou pronto para morrer”. Isso evidentemente era apenas uma presunção. No momento em que foi questionado pela empregada, quando ela afirmou que ele era de fato um dos discípulos de Jesus, Pedro negou veementemente temendo morrer.
Infelizmente vejo muita presunção sendo derramada dos púlpitos. Muitos sabem pouco ou quase nada sobre conflitos espirituais. Desconhecem suas inclinações interiores e ignoram completamente o poder de fogo do inimigo. 
Em segundo lugar, Pedro demonstra possuir “brechas” – “Satanás vos reclamou”. Evidentemente que Satanás tenta o mais santo dos homens. Ele tentou o Senhor Jesus sem que este tivesse “brecha” alguma (Mt 4.1-7). Todavia não é o que vemos acontecer com Simão Barjonas. Satanás sabia que havia pontos fracos em Pedro e através deles desejava destruí-lo. O Senhor sabia disso também, e não via a Pedro da mesma forma que o maligno o via. O Senhor o via como um homem que possuía fraquezas, mas que era amado de Deus. Jesus amava a Pedro e demonstrou um cuidado especial com ele.
Certa vez acordei na madrugada. Geralmente durmo cedo e acordo cedo e o meu sono é tranquilo. Mas naquela noite despertei muito antes da barra do dia nascer! O sonho que tive me deixou inquieto – na verdade ele se ajusta mais aquilo que os profetas denominavam de “visões da noite”. Naquele sonho eu me encontrava em certo lugar na companhia de um amigo e de repente vi a certa distância de mim alguém vestido de branco. Eu observava que ele possuia poderes sobrenaturais, como por exemplo, revelar algo de nossa intimidade. Quando ele se dirigiu para nossa direção, o meu companheiro fugiu correndo como quem não desse credito naquilo. Foi então que aquele ser se chegou a mim e me tomou pelo braço! Nesse momento eu comecei a falar dizendo-lhe: “Eu tenho passado por muitas lutas, mas o Senhor tem estado comigo! Ele tem me guardado no seu sangue!” Ele respondeu, dizendo: “Eu sei disso, mas você tem orado pouco! Na verdade tem se alimentado mais do que orado!”
Foram essas palavras que me deixaram perplexo! Comecei a entender que o colega havia fugido porque possuía pecados encobertos e seria exposto diante daquele ser. Entendi que estava orando pouco e me alimentando mais de entretenimento do que da leitura das Escrituras! Era esse o alimento ao qual ele se referia! Sempre gostei de filmes épicos e cowboys, e não há nada de errado em gastar algum tempo nesse tipo de entretenimento, mas eu estava devotando mais tempo a eles do que à oração e leitura bíblica.
Em terceiro lugar, Pedro estava com a vida devocional pobre – “Roguei por ti”. Todos necessitamos de oração, mas nesse momento era como o Senhor estivesse dizendo a Pedro: Estou ficando na brecha por você”. Pedro estava displicente nesse momento e era um momento decisivo. O Senhor sabia disso e rogou por seu amigo.
Em quarto lugar, Pedro demonstrou falta de conversão – “Quando te converteres”. O problema residia justamente aqui – falta de conversão! Pedro era crente? Por certo! Ele era um apóstolo e dedicado servo de Deus, mas havia pontos na sua vida que precisavam de mudanças. Ele precisava se converter! Às vezes nosso temperamento precisa de conversão; às vezes é a nossa língua; outras vezes é a nossa mente e em outras vezes é todo o nosso ser!
Em quinto lugar, Pedro demonstrou apenas nominalismo – “Estou pronto para morrer”. Ele dizia que estava pronto para morrer pelo Senhor, mas as suas palavras eram apenas uma demonstração de uma fé nominal. Essas palavras foram motivadas mais pela emoção do que pela revelação.
Em sexto lugar, Pedro ainda possuía egoísmo – “Fortalece os teus irmãos”.  Não pense somente em você, pense também nos outros. Não viva apenas para você, viva também para os outros. Não viva um individualismo centrado apenas no EU. Divida com os outros aquilo que Deus compartilhou com você.


Texto extraído do meu livro: FORTALEZAS NÃO CONQUISTADAS (No prelo).

[1] MORRIS, Leon L. Lucas – introdução e comentário. Ed. Vida Nova, São Paulo.