Bem-vindo ao meu blog

Desejo que todos sejam ricamente edificados quando por aqui passarem.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Heresias na igreja evangélica

O Evangelho Apócrifo dos Evangélicos
Modismos, inovações e heresias na igreja evangélica!



Hoje o que está na moda no meio secular e também evangélico não é o que Jesus disse, mas o que Ele não disse! O que mais fascina hoje nas mensagens evangélicas não é aquilo que está escrito na Bíblia, mas o que não está. Nunca lendas judaicas e tradições apócrifas causaram tanto interesse como no atual momento. O que impressiona é que não são somente os pagãos, críticos e ateus que estão à procura das palavras perdidas de Jesus, mas os próprios evangélicos. Cresce a cada dia o número de pregadores que se valem de textos apócrifos como base para seus sermões.
É bem verdade que sempre houve na história do cristianismo uma batalha pela verdade. Os quatro primeiros séculos da história da igreja, por exemplo, foi marcado por uma disputa acirrada acerca da verdadeira identidade de Jesus Cristo. Quem de fato era Ele? Nomes como Ário de Alexandria, Nestório e Pelágio, apenas para citar os mais famosos, despontam nesse cenário como construtores de verdadeiros sistemas heterodoxos. São repelidos duramente pelos apologistas cristãos por causa da cristologia deformada que tentaram defender.
 Em tempos mais recentes despontou no meio evangélico americano o evangelho da saúde e da riqueza, também denominado de Teologia da Prosperidade ou Confissão Positiva.  Esse sistema teológico, valendo-se de princípios alegóricos de interpretação e um literalismo extremado, simplesmente negou dois mil anos de tradição cristã para se impor como a única verdade teológica válida. Como aconteceu nas outras vezes, esse sistema teológico encontrou nos apologistas cristãos uma resposta à altura. Davi Hunt, um dos mais famosos apologistas norte-americano, provou por A + B em seu livro A Sedução do Cristianismo, que longe de se fundamentar na Bíblia, esse sistema teológico na verdade era uma síntese de elementos vindos do Xamanismo e da Ciência Cristã. Uma heresia grosseira que deveria ser extirpada como se extrai um câncer.
Mais uma vez vemos a história se repetir. A bola da vez são as lendas e tradições judaicas que estão ressurgindo com força. É possível ver isso em dezenas de vídeos divulgados pelo youtube. Em vários deles é possível ver o fascínio que esse tipo de ensino causa na membresia evangélica e também nos pastores. Em uma entrevista divulgada no canal do youtube, o entrevistador, que é um pastor, demonstra estar fascinado com aquilo que o entrevistado, uma celebridade evangélica, acabara de pregar. A entrevista aconteceu logo após um grande evento evangélico realizado no ano de 2010. As palavras foram:
“Ontem te vi pregar e é diferente de tudo aquilo que estava acostumado a ver e a ouvir. Qual o segredo de tanta unção e de uma mensagem tão profunda e contundente?”
De fato o que aquele pregador disse era diferente de tudo o que se prega nas igrejas e é justamente isso o que causa fascínio. Mas aquilo que foi pregado ali era de fato bíblico ou material produzido pela literatura apócrifa? Muitos não se preocupam com esse fato desde que seja diferente e tremendo!
Neste capítulo, portanto, procurarei mostrar onde se situa esse front da batalha pela verdade!
Os anos perdidos de Jesus
Certo dia me encontrava manuseando um livro em uma livraria em Curitiba, Estado do Paraná, quando um senhor se aproximou de mim. Era um pastor. Cordialmente se identificou e tomou a iniciativa na construção de um diálogo. Através de sua fala tomei conhecimento que possuía uma sólida formação teológica, visto ter se formado em um conceituado Seminário evangélico brasileiro. Contou-me que a sua fé estava sofrendo uma reviravolta porque, segundo disse, estava convencido que o ministério de Jesus não havia se limitado às terras bíblicas, mas Jesus teria de fato ido até a Índia. Ali ele teria estudado com os monges e trabalhado a sua espiritualidade! Perplexo, perguntei-lhe em que se baseava para fazer uma afirmação tão ousada! Procurando ali mesmo nas prateleiras daquela livraria, ele encontrou o livro que o havia convencido a mudar de ideia. O livro falava algo tipo: “Os Anos Perdidos de Jesus”.
Aquela conversa produziu uma estranha sensação em mim! Fiquei triste porque o que realmente preocupava não eram os anos perdidos de Jesus, mas a fé daquele irmão que estava sendo de fato perdida! Se ele estava se perdendo nesse labirinto, imagine como ficam as ovelhas sob o seu pastoreio. 
Adoração angélica!
Em uma outra ocasião encontrava-me numa cidade do região sul do Brasil, onde em um inverno rigoroso a temperatura caia para cinco graus Celsius. Eu e o pastor Elienai Cabral éramos preletores em uma EBO – Escola Bíblica para Obreiros. Um dos temas abordados durante aquela EBO foi relativo a Batalha Espiritual e durante os intervalos dos estudos era inevitável as mais variadas perguntas e questionamentos sobre aquele assunto. Foi então que alguém trouxe à tona o assunto relacionado à adoração angélica. Contou-nos o que ele mesmo havia presenciado nos EUA quando lá havia estado em um passado não mui distante. Disse-nos que havia sido convidado para participar de um culto em uma igreja de fala portuguesa e quando ali chegou obervou que havia alguma coisa diferente com a liturgia do culto naquela igreja – os anjos recebiam uma atenção especial! Havia até mesmo assentos destinados exclusivamente para os anjos sentarem!
Segundo sua narrativa, havia ali uma preocupação fora do comum com os seres angélicos! Certa vez, quando o culto havia terminado, ele e o pastor daquela igreja encontravam-se em determinado lugar. Foi então que ele percebeu que o pastor demonstrou estar muito preocupado. Querendo saber o motivo, o pastor informou que havia esquecido de liberar o anjo! O anjo havia participado do culto daquele dia e mesmo tendo o trabalho terminado e todos tendo retornado para seus lares, segundo aquele pastor, o anjo ainda estaria lá porque não havia recebido o comando pastoral para voltar! Perplexo, meu amigo viu aquele obreiro voltar apressado para o templo com o expresso propósito de liberar o seu anjo! Alguns minutos depois ele voltou aliviado informando que o anjo havia sido liberado!
Pois bem, a coisa ali começou a desandar e o avivamento passou a ficar fora de controle! A igreja rachou e o pastor perdeu os crentes! Ficou sozinho e segundo me contaram parece que nem mesmo os anjos estão mais ali! 
Judaísmo talmúdico e medieval!
Em uma bela manhã de domingo do ano de 2011 eu e alguns irmãos nos deslocamos da cidade de Teresina, capital do Estado do Piauí, para uma cidade no vizinho Estado do Maranhão. Fomos ver ali um judeu convertido pregar o Evangelho! A minha curiosidade de conhecer aquele judeu havia sido despertada por alguns irmãos da nossa congregação que possuíam dezenas de mensagens em vídeo do mesmo. A pedido deles assisti alguns daqueles vídeos, mas o meu pouco tempo me impediram de vê-los na sua totalidade. O pouco que assisti aguçou a minha curiosidade e produziu algumas perguntas. A curiosidade veio por conta do judaísmo tardio usado como fundamento de suas mensagens. Não era um judaísmo bíblico, mas talmúdico e medieval. As perguntas vieram por conta da sua imprecisão na citação de alguns termos hebraicos. Eu havia sido professor de introdução ao hebraico bíblico e possuo familiaridade com essa língua.
Pois bem, chegando naquela cidade encontrei dificuldade até mesmo para me locomover, visto que a grande expectativa para ver aquele famoso expositor bíblico ter deixado a nave do templo superlotada. Fui convidado pela direção da igreja para ocupar um lugar no púlpito.  A programação da igreja seguia seu curso bem assembleiano: cantores e mais cantores se revezavam no púlpito. Depois de muita espera e uma enorme expectativa, vi adentrar no templo um irmão de pele branca, estatura mediana, com barba feita – era o judeu por quem todos nós aguardávamos! Inevitavelmente todos os olhares se viraram para ele. Eu mesmo fui atingido pela expectativa do inconsciente coletivo e passei a olhar para aquele jovem com admiração. Um judeu convertido é coisa rara, e sentado bem perto de um gentio como eu era coisa mais rara ainda.
 A liturgia assembleiana gastou todo o tempo possível e impossível daquela manhã dominical, sendo que quando o judeu pegou o microfone para falar era mais de meio dia. Não dava mais para pregar naquela manhã, mas a sua saudação provocou uma explosão de “glória a Deus” e contagiou o auditório. Era o prenúncio do que aconteceria à noite! Sai frustrado por não ter tido a oportunidade de ouvi-lo, pois à noite os meus deveres pastorais me impossibilitariam de estar naquele culto. Mas os jovens que foram comigo ficaram para o culto da noite!
No outro dia encontrei alguns daqueles irmãos e perguntei como havia se saído o judeu no culto à noite. Um deles se adiantou dizendo: “Foi tremendo!” Um outro completou, quase que extasiado: “Ele nem mesmo abriu a Bíblia, citou todo o texto de memória!” Um outro lembrou que ele havia profetizado algo como: “Daqui a cinquenta dias algo tremendo vai acontecer na sua vida!” O último deles a falar contou que o judeu havia demonstrado preocupação com alguns comentários negativos sobre a sua pessoa e mensagem – alguns estariam negando que ele seria de fato um judeu e que seus ensinos não eram bíblicos!
Foi esta última observação que me deixou alerta! Tudo o que eu sabia sobre ele foi me passado por aqueles amados irmãos que congregavam comigo e o admiravam muito. A minha afinidade com aqueles crentes fez com que eu também passasse a admirar o pregador, a gostar dele e até mesmo defendê-lo! Mas aquele último comentário pareceu deixar-me incomodado! Por que alguém precisaria se preocupar em defender sua identidade? Um judeu é um judeu, não pode nunca ser outra coisa. Ninguém jamais pode mudar esse fato. Isso é genética! Eu sou brasileiro, nordestino e ninguém pode mudar esse fato! Graças a Deus por isso, pois Ele não faz acepção de pessoas! Não precisamos nos preocupar nem tampouco defender a nossa genealogia!
Vali-me do Google na procura de informação! Não demorou muito e essa ferramenta de pesquisa começou a jorrar um rio de informação sobre aquele pregador – a maioria esmagadora era negativa! A minha admiração esvaiu-se; o encanto deu lugar aos questionamentos e por fim à decepção. Quanto mais pesquisava, mais fatos vinham à tona. Um fato ficou logo patente para mim - todas as informações da web negavam veementemente o seu nome judaico. Alguns internautas juravam que o conheciam antes e depois da fama e que o mesmo trocara de nome assim como havia trocado de igreja. Poucos dias depois dessa busca, encontrei um amigo meu, também pastor. Ao comentar com ele algumas descobertas sobre aquele pregador, fui interrompido por meu amigo:
_ “Você sabia que ele não é judeu?” perguntou-me!
_ “É o que estão dizendo na internet", respondi.
_ “Pois eu estou vindo de uma Convenção de Pastores em São Paulo e lá um pastor garantiu esse fato”, afirmou o meu colega. _ “Ele forneceu até mesmo o nome de um outro irmão que foi pastor daquele pregador antes dele se tornar judeu!” completou.
Para mim essa informação encerrava a questão. Todavia eu estava mesmo interessando nos dados que davam conta de que seus ensinos não se fundamentariam na Bíblia, mas no judaísmo extrabíblico. Isso era importante para mim por duas razões: Primeiramente era muito mais fácil a sua averiguação e em segundo lugar, e muito mais importante, se o que ele ensinava não era realmente bíblico então as ovelhas que eu pastoreava precisavam saber disso! Resolvi, portanto, assistir na íntegra alguns DVD’s e também ler alguns de seus livros que me chegaram às mãos! Um fato logo se sobressaiu - tanto os livros como os vídeos são recheados de metáforas e interpretações alegóricas, geralmente procurando explicar utensílios usados no antigo Tabernáculo e sua aplicabilidade na igreja hoje. Não havia dúvidas – as minhas anotações davam conta de que a sua leitura bíblica era feita com os óculos da tradição judaica talmúdica e medieval, recheadas com elementos da numerologia cabalística!  
O resultado disso tudo é que a credibilidade daquele irmão foi se esvaindo por conta disso e o seu ministério já não é visto como antes! Uma nuvem de desconfiança parece pairar sobre aqueles que param para escutar aquele pregador!
Fica a lição para nós que não basta pregar cultura judaica ou secular. É necessário se manter fiel ao texto bíblico. Qualquer valente que se aventure por esse caminho terá uma caminhada curta!
Práticas judaizantes: o dossiê católico
  Há uma idolatria evangélica? O suposto ataque à Maria, mãe de Jesus, por parte de alguns protestantes fez com que um padre produzisse um dossiê evangélico. Ele está convencido que há uma idolatria evangélica. É isso que tenta provar o seu dossiê, que diga-se de passagem vem recheado de muito material ilustrativo e muita informação. Nele há a denúncia àquilo que classifica como “heresias evangélicas”. De fato o que o padre denunciou vai muito além de simples heterodoxia – são heresias travestidas de ensino bíblico! Em alguns cultos à uma volta completa ao culto do Antigo Testamento, sendo isso facilmente comprovado pela presença da antiga Arca da Aliança na liturgia do culto!
Acertadamente, o sacerdote católico destaca:
“A nova "moda" das novas comunidades ditas "evangélicas" é a produção de réplicas da Arca da antiga Aliança (descrita no Antigo Testamento da Bíblia). Tais arcas são expostas durante os cultos e literalmente adoradas pelos pastores e pela assembleia reunida.  Espanta ver o povo que tanto calunia os católicos, chamando-os de "idólatras" por conta do uso das imagens na igreja, agir dessa maneira! Parece que, na mentalidade de tais "pastores", a reprodução de imagens dos personagens do Novo Testamento, conforme a Tradição cristã legítima, é proibida e pecaminosa; mas a reprodução de imagens dos símbolos do Antigo Testamento é permitida! Suprema contradição, já que a partir de Jesus Cristo foram renovadas todas as coisas, e estabelecida a Nova e Eterna Aliança entre Deus e os homens: "Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2Cor 5, 17).
E mais uma vez constatamos que os autodenominados "evangélicos", na verdade, nada entendem da Bíblia Sagrada: se as próprias Escrituras proclamam a renovação de todas as coisas, porque renegar os símbolos da Nova e Eterna Aliança e usar símbolos da Antiga Aliança, das coisas que já passaram e não têm mais nenhum sentido sagrado, como é o caso da Arca? Mais: na Bíblia Sagrada, ainda no Antigo Testamento, o próprio Deus decreta o fim do culto à antiga Arca. Vejamos (atenção para os destaques): "Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; pois eu vos desposei; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos levarei a Sião. E dar-vos-ei pastores segundo o Meu Coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência. E sucederá que, quando vos multiplicardes e frutificardes na terra, naqueles dias, diz o SENHOR, nunca mais se dirá: 'A Arca da Aliança do SENHOR', nem ela lhes virá mais ao coração; nem dela se lembrarão, nem a visitarão; nem se fará outra. Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do SENHOR, e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do SENHOR, em Jerusalém; e nunca mais andarão segundo o propósito do seu coração maligno." (Jeremias 3, 14-17)
Não somos judeus, somos cristãos resgatados pelo Sangue do Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus, que nos livra dos nossos pecados! Temos visto o Evangelho sendo deturpado, esculhambado e distorcido por falsos profetas que chamam a si mesmos de "pastores" e até de "apóstolos"! Esses verdadeiros lobos em pele de cordeiro são incansáveis na criação de todo tipo de heresia e falso misticismo, que vendem como "cristianismo bíblico". Estão cegos, loucos, alienados, e pior: guiam outros cegos!”[1]
Parece que estou vendo a “jumenta de Balaão” falando neste texto! É lamentável que de fato haja entre os evangélicos um culto idólatra aos utensílios da Velha Aliança. Muitos desses utensílios são usados apenas para produzir uma fé sensorial e arrancar dinheiro dos fieis. Todavia isso de modo algum valida as práticas católicas, mas serve para mostrar que a Bíblia que muitos grupos evangélicos estão lendo não é a mesma que Jesus, seus apóstolos e nem tampouco os reformadores leram.  Muitos valentes já tombaram por tropeçarem nesses utensílios!
O que, portanto, a adoração angélica; o judaísmo talmúdico e as práticas judaizantes possuem em comum? Todas fazem parte do Evangelho Apócrifo que está sendo ressuscitado com força e hoje está sendo pregado nos púlpitos das igrejas evangélicas! Há muito mais Evangelho Apócrifo sendo pregado por aí, mas citei apenas esses três casos como ilustrações do entulho que está sendo despejado dentro de nossos templos. Infelizmente por ser o nosso povo por demais apegados a esse tipo de mensagem sensorial, nada disso é percebido de imediato. Quando as primeiras denúncias aparecem, o número de seguidores, adeptos e defensores desse tipo de mensagem já se multiplicou de forma exponencial.
A guerra pela verdade tem que continuar, mesmo nos dando conta que alguns valentes já tombaram diante de algumas batalhas. Cabe, pois, aos que creem ainda na veracidade do texto bíblico pregar a verdadeira mensagem da cruz!


(texto extraído do meu livro: FORTALEZAS NÃO CONQUISTADAS (CPAD, NO PRELO).




[1] WWW. pr.gonet.biz/Kb_read.php. acesso em 14.09.2012.