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domingo, 18 de agosto de 2013

Cuidado com o que falamos!


 (Texto extraído do meu livro: Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso (CPAD, 2013)



Pv 6.16-19; 15.1,2,23; 16.21,24; Tg 3.1-11

Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.

A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.
A língua dos sábios adorna o conhecimento, mas a boca dos insensatos derrama a estultícia.
O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é!                  

O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.
Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.

Tiago 3.1-11

Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo. 2 Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. 3 Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. 4 Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. 5 Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! 6 Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. 7 Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; 8 a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. 9 Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. 10 De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. 11 Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? 12 Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce.




Vários versículos do livro de Provérbios e também da epístola de Tiago contêm as mais belas exposições sobre uma faculdade que somente os seres humanos possuem – a fala. Em um primeiro momento é posto pelos sábios dos Provérbios o poder que a arte de falar carrega consigo. Em um segundo momento é posto em destaque por Tiago, capítulo 3.1-11, a responsabilidade que tem aqueles que verbalizam pensamentos, princípios, preceitos. Estes são os mestres. Essa literatura sapiencial toca em um ponto sensível da vida humana, mas muitas vezes esquecido pelos cristãos – o devido uso da língua. Na análise que eles fazem do uso da língua, se usada indevidamente, põe em risco não somente o indivíduo que dela faz uso, mas até mesmo toda a humanidade. Possuindo uma arma tão poderosa, cabe ao cristão seguir as orientações dadas por Deus para que venha ter um viver em paz.
O uso da língua de acordo com Tiago:

Visto que os ensinos de Salomão sobre o uso da língua foram assimilados pelo apóstolo Tiago, mantendo um paralelismo muito próximo com Provérbios de Salomão, desejo começar com o entendimento que o apóstolo possuía sobre esse minúsculo membro do corpo humano.
O Apóstolo Tiago em um primeiro momento é posto em destaque por ele aqueles que verbalizam pensamentos, princípios, preceitos, etc. Estes são os mestres (gr didaskalos). Em um segundo momento ele toca em um ponto sensível da vida humana, mas muitas vezes esquecido pelos cristãos – o devido uso da língua. Na sua análise a língua, se usada indevidamente, põe em risco não somente o indivíduo que dela faz uso, mas até mesmo toda a humanidade (Tg. 3.6). Possuindo uma arma tão poderosa, cabe ao cristão seguir as orientações dadas por Deus para que venha ter um viver em paz.
Advertência aos profissionais da fala
 Um recado aos mestres

Tiago inicia a sua argumentação com uma exortação direta aos mestres e àqueles que porventura quisessem ensinar. “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo”. (Tg 3.1). Estas palavras de Tiago necessitam ser analisadas dentro do contexto educacional da cultura hebraica e seu desenvolvimento dentro da igreja primitiva. As palavras hebraicas para ensinar e suas correlatas ocorrem mais de 270 vezes nas Escrituras do Velho Testamento. Por outro lado, a palavra grega didaskalos, traduzida por Tiago como mestre, juntamente com aquelas de mesma raiz, ocorrem 211 vezes no texto grego do Novo Testamento. As freqüências com que esses vocábulos ocorrem nas Escrituras Sagradas revelam que o mestre ocupava uma posição de destaque na cultura bíblica. É de se notar que a escola de um judeu era primeiramente o seu próprio lar onde recebia instrução de seus pais (Pv 22.6); mas a educação mais formal ficava a cargo dos sacerdotes e profetas. As Escrituras registram, por exemplo, que “Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos”. (Ed 7.10). Em outro estágio da cultura hebraica esse ensino mais formal ficaria a cargo dos escribas. No mundo do Novo Testamento os mestres não eram estranhos. Além da herança cultural judaica, o processo de helenização promovido por Alexandre, O Grande, solidificaria mais ainda a estrutura educacional. Graças a universalização da língua grega e a popularização do ensino, Paulo podia ser ouvido e entendido em todos os lugares. “Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor”. (At 15.35; At 19.9). Os mestres, portanto, passaram a ganhar grande visibilidade, e muitos eram tentados a se tornarem mestres. Muitos às vezes não possuíam qualificação para isso, e por isso acabavam ensinando o que não deviam. “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição”.(2 Pe 2.1). Diante de um quadro como esse, Tiago adverte aos crentes sobre a grande responsabilidade que esse cargo exige. Não era somente ensinar, mas o que ensinar. Não era somente falar, mas que conteúdos eram revelados nessa fala. Ele lembra aos mestres cristãos que contas seriam pedidas do exercício desse ofício. “Havemos de receber maior julgamento”. Tiago tem em mente o julgamento de um tribunal, já que a palavra grega krima usada por ele mantém o sentido de “julgamento de um juiz. Nesse particular o tribuno seria o próprio Deus. Esse era um cuidado que aqueles que vivem da fala deveriam sempre lembrar. Quão grande responsabilidade pesa sobre os que ensinam.

Advertência contra a tagarelice
Tirando o veneno da língua
A língua necessita de controle. Do versículo 2 até o versículo 12 Tiago passa a tratar diretamente sobre o devido uso da língua. É uma advertência àqueles que gostam de falar ou vivem sempre falando. A língua, mais do que qualquer outro órgão do corpo, necessita de controle. Há toda uma linguagem metafórica usada por Tiago para ilustrar o poder negativo da língua. São símbolos extraídos do cotidiano de pessoas comuns, mas que em Tiago crescem em dramaticidade.
 1. Freios
Tiago fala da necessidade de se por freios (gr kalinós) na boca assim como são postos nos cavalos. Há quatro ocorrências dessa palavra no Novo Testamento grego; três em Tiago (Tg 1.26; 3.2; 3.3) e uma em Apocalipse (Ap 14.20). O sentido no original é de um freio ou cabresto colocado na boca do animal. A lição é muito clara: aqueles que gostam de falar muito, e por isso acabam falando o que não devem, necessitam por freios na sua própria boca. Uma solução já apontada anteriormente por Tiago seria primeiramente ouvir e somente depois falar (Tg 1.19). Não há como fugirmos do paralelo que surge entre o “freio” de Tiago e o “domínio próprio” citado por Paulo em Gálatas 5.21-23). O freio deve controlar o animal e o domínio próprio a língua do crente.
2.      Leme
 A língua necessita de freio porque ela tem um poder muito grande de traçar rumos e destinos. Assim como o leme (gr. pedalion) tem o poder de conduzir uma embarcação a qualquer lugar desejado, da mesma forma a língua. “Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro”. (Tg 3.4). O leme controla o navio, a língua o crente.
3.      Fogo
 Talvez a imagem mais dramática usada por Tiago para ilustrar o poder da língua seja a do “fogo”. Tiago diz que “a língua é fogo” (Tg 3.6). A figura evocada pelo homem de Deus aqui é do poder destrutivo do fogo. O fogo queima, o fogo incinera. Uma língua sem freios e fora de controle queima como fogo! Quantas pessoas estão hoje literalmente “queimadas” por conta de comentários maldosos que foram feitos sobre elas. Na maioria das vezes não houve uma visão adequada dos fatos. Devemos tomar cuidado com aquilo que falamos.
4.      Mundo
 Há uma disputa entre os intérpretes sobre o real significado deste termo usado aqui por Tiago. Isso porque a palavra kosmos (Tg 3.6) traduzida por mundo aqui tem uma variedade de significados no contexto do Novo Testamento. O sentido mais natural do texto é que Tiago fala de “mundo” como a esfera onde as coisas acontecem. Nesse sentido a língua é um pequeno órgão, mas que pode se tornar um grande universo de coisas ruins. Isso explica porque a palavra “iniqüidade” ou “injustiça” vem associada a “mundo” no versículo 6 do capítulo 3.
5.      Veneno
O mau uso da língua pode desencaminhar uma vida e até mesmo matar. Há um veneno na língua que precisa ser tirado (Tg 3.8). O veneno mortífero do qual fala Tiago reside no poder que a língua tem de servir ao mesmo tempo para abençoar ou amaldiçoar. “Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim”. (Tg 3.9,10). Há regiões no Brasil onde se usa o termo “língua grande” para pessoas que fofocam ou falam demais. O perigo está em alguém possuir uma “língua grande” e além, disso “envenenada”.
6.      Fonte
 A outra figura usada nesta carta é a de uma fonte. Os orientais sabiam da importância que as fontes de águas doces e perenes possuíam para eles. Mais do que qualquer outra coisa, a água era um bem extremamente precioso. A ideia que Tiago sugere é o de uma fonte jorrante (gr. bryo, v.11). A analogia é simples, mas extremamente forte – assim como as fontes jorravam águas doces, próprias para o consumo, assim também a nossa língua deve ser. “Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (Tg 3.11, 12).
7.      Árvore
 Tiago apela para a peculiaridade de cada espécie. “Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos?” (Tg 3.12) Uma figueira produz figos, uma videira produz uvas (Tg 3.12). A lógica é simples: Uma mangueira produz mangas e uma laranjeira laranja. A boca do crente não deve produzir maldição, mas benção, pois isso faz parte de sua nova natureza (2 Co 5.17; Ef 4.17-22).[1]
Tiago é nosso contemporâneo e fala hoje. As suas advertências sobre o uso da língua chegam até nós como verdadeiras preciosidades. Em um contexto onde os relacionamentos se fracionam e são trincados com relativa facilidade, deveríamos atentar para as exortações que o Senhor nos faz através desse escrito. Assim como o anjo tocou nos lábios de Isaias e purificou a sua boca (Is 6.7), da mesma forma devemos permitir que o Espírito Santo faça o mesmo com a nossa língua.
Pois bem, se por um lado Tiago procurou tirar o veneno da língua, por outro Salomão procura deixá-la mais curta ainda.
O uso da língua de acordo com Salomão
O Poder das palavras - palavras que matam
As palavras não tem vida própria. Uma tendência bíblica, que é o de dar vida às abstrações e personificá-las tem levado muitos ao equívoco de pensar que as palavras tem existência independente de Deus e do homem. Não, não tem! A Palavra de Deus é poderosa porque foi Deus quem a disse ou que mandou falar, mas não porque tenham vida independente do próprio Deus (Sl 107.20; Is 9.8). Da mesma forma as palavras humanas não tem poder em si mesmas (Sl 85.11; 107.42; Jó 5.16; 11.14; 19.10).  Por outro lado, dependendo do contexto onde são faladas e por quem são faladas e ainda por quem as ouve, as palavras podem machucar, ferir ou até mesmo matar. Provérbios reconhece isso quando diz: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Pv 18.21). Em um casamento, por exemplo, uma palavra ofensiva e injuriosa, se não houver pedido de perdão, pode não somente ferir, mas matar o relacionamento. “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15.1).
Palavras que dão vida

A palavra hebraica dabar, tanto na sua forma substantiva que é a mais primitiva, como na sua forma verbal, que é derivada, significa: fala, declaração, discurso, palavra, dito, promessa, ordem. Os temas contemplados pelo uso dessas palavras são na sua maioria de valores morais, éticos e ideais. O Sábio tem consciência da importância das palavras e por isso afirma: “O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber” (Pv 16.21). Por isso devemos falar palavras boas: “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo” (Pv 16.24). Como dabar significa também discurso, aqui há também um conselho para pastores e pregadores: nossos sermões devem sempre transmitir vida e não desabafo. Infelizmente há muitos púlpitos que viram palanques!

Cuidados com a língua
Evitando a tagarelice
Há um provérbio muito popular que diz: “Quem fala o que quer, ouve o que não quer”. Esse falar imprudentemente é a tradução do hebraico batah¸ que dentre os sentidos, significa: Pessoa que é tagarela, que fala irrefletidamente e impensadamente. Portanto, não basta dizer: “Pronto, falei”. É preciso medir as consequências daquilo que se quer falar.  A melhor forma é seguir o conselho do Sábio: “No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente (Pv 10.19). Salomão tem consciência de que: “O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se  arruína” (Pv 13.3). É esse “muito abrir os lábios” que identifica a tagarelice: “Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina (Pv 12.18)”. É melhor, portanto, ficar de boca fechada (Pv 17.28)!

Evitando a maledicência
O livro de Provérbios também contempla conselhos sobre a maledicência. Nesse livro ela aparece como sendo a sétima abominação de uma lista de seis coisas que o Senhor aborrece: “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projeto1s iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6.16-19). O Senhor abomina (hb: to’ebah) a contenda ou maledicência (hb:medan) entre irmãos.  No original “abominar” significa “sentir nojo de” e pode se referir as coisas de natureza física, ritual ou ética. Deus sente nojo das intrigas entre irmãos. É a mesma palavra usada para descrever coisas abomináveis ao Senhor, tais como: idolatria (Dt 7.25); homossexualismo (Pv 18.20-30); sacrifícios humanos (Dt 18.21), etc. O que fala mal do seu irmão é visto por Deus da mesma forma como Ele vê quem comete esses pecados.[2]

O bom uso da língua
Língua para edificação do próximo
Alguém já disse que quem profere uma mentira, conta outras duzentas na tentativa de encobri-la! Isso se torna totalmente desnecessário quando escutamos o conselho: “Exultará o meu íntimo, quando os teus lábios falarem coisas retas” (Pv 23.16). O segredo é falar “coisas retas”, coisas certas!  “Ele ama o que fala coisas retas” (Pv 16.13). Isso agrada a Deus, agrada também ao próximo. Em o Novo Testamento o apóstolo Paulo recomendou: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com seu próximo, porque somos membros um dos outros” (Ef 4.25). Uma outra coisa que também não podemos nos olvidar é do conselho de Provérbios 11.13, que é chave para os bons relacionamento: “O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o fiel de espírito o encobre” (Pv11.13). Um dos grandes inimigos dos bons relacionamentos e, portanto, uma ameaça a paz, é a figura do “fofoqueiro”, tradução do termo hebraico rakiyl, significando: caluniar, difamar e focar. É preciso ouvir esses bons conselhos se quisermos nos guardar desse mal!

Língua para adoração a Deus
O melhor uso que podemos fazer da fala é usá-la para nos dirigir a Deus em adoração. Todo crente devoto sabe disso ou deveria saber, pois Provérbios 10.32, diz: “Os lábios do justo sabem o que agrada, mas a boca dos perversos, somente o mal (Pv 10.32). O fiel sabe que o Senhor se agrada dos sacrifícios de louvor: “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome (Hb 13.15). Paulo, o apóstolo, sabia que nisso estava o segredo para uma vida frutífera: “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo’ (Ef 5.19,20). Por que não aproveitar o culto para fazer dele uma verdadeira adoração?

Salomão e Tiago
Uma palavra ao aluno
No livro de Provérbios a expressão hebraica shama beni, ocorre 21 vezes  com o sentido: “ouvi filho meu”. Não há dúvida que a linguagem revela a fala de uma pessoa mais experiente a uma outra ainda imatura para as realidades da vida. Alguém sábio que passa o que vivenciou ao seu aprendiz (Pv 1.8,10,15; 2.1; 3.1,21;4.3,10,20; 5.1,20;6.1;20; 7.1;19.27;23.15,19,26; 24.13,21; 27.11). São mais de 300 conselhos dado pelos sábios como regra do bom viver. Segui-los significa achar o bem, não segui-los é encontrar-se com o mal.

Uma palavra aos mestres

Se por um lado Salomão se dirigiu ao discípulo (hb: filho, aluno), Tiago, como vimos, se dirigiu aqueles que querem ser mestres – os profissionais da fala. É uma advertência àqueles que gostam de falar ou vivem sempre falando (3.1-12). A língua, mais do que qualquer outro órgão do corpo, necessita de controle. Como vimos, há toda uma linguagem metafórica usada por Tiago para ilustrar o poder negativo da língua. São símbolos extraídos do cotidiano de pessoas comuns, mas que em Tiago crescem em dramaticidade.
Vimos neste capítulo os conselhos dos sábios sobre como fazer bom uso da língua e que a mesma não pode servir de veículo de bênção e maldição ao mesmo tempo. A linguagem como algo peculiar ao ser humano é por demais preciosa para ser usada para propósitos ruins. Devemos com a nossa língua abençoar nosso semelhante e bendizer o nosso Deus.




Notas



[1] Veja um estudo detalhado na Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Editora Vida Nova, São Paulo.
[2] Veja um estudo aprofundado em Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Editora Vida Nova, São Paulo.