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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Crentes nascidos de novo podem ficar possessos ou endemoninhados?


Acredito que nenhum ensino tem demonstrado ser tão nocivo à Igreja de Jesus Cristo, quanto esse que afirma que o cristão pode ser possuído por demônios. Nos anos noventa, esse ensino se tornou como uma praga era só que no se falava nos meios evangélicos. Multiplicava-se o número de literaturas dando destaque a esse tema. Em 1993 adquiri o livro Demônios Derrotados. Folheando o mesmo, encontrei um capítulo intitulado: pode um cristão ter demônios?. Neste capítulo, o autor sem arrodeios respondeu: “ a resposta é enfaticamente sim!”. O problema com esta afirmação está no fado da mesma não ser baseada na Bíblia Sagrada, mas na experiência do autor. Tentando fundamentar a sua resposta, ele diz: “estou ciente do muito que se tem ensinado a respeito de os cristãos não poderem ter demônios. Contudo, através de minha experiência no ministério há quatorze anos, constatei que tal opinião é totalmente incorreta”. Partindo desse princípio a posteriori (fundamentado em sua experiência), esse autor faz uma exegese falaciosa sobre a “possessão demoníaca” no cristão: “em primeiro lugar precisamos compreender que alguém poder ter um demônio sem estar possuído por ele. A versão King James (Bíblia em Inglês) traduz incorretamente a palavra “endemoninhado” como “possuído”. Isto dá as pessoas a impressão de que se um espírito as ataca, ou se apenas possuem um espírito estão consequentemente possuídas por demônios. Não há nada na tradução grega que revele a palavra “possuído”. Estudiosos insistem no fato de que esta palavra tem amedrontado muitas pessoas, por pensarem que, se possuem um demônio estão “possuídas”.
Esta interpretação onde se afirma que uma pessoa pode “ter um demônio”, sem contudo estar “possuído” por ele, é frequentemente invocada por muitos ensinadores que creem na possessão demoníaca do cristão. Na tentativa de adaptarem as Escrituras às suas crenças, esses “mestres” procuram dar um novo significado à redação original do Novo Testamento. Quando lemos Os Evangelhos, Os Atos dos Apóstolos e as Epístolas e não encontramos esse tipo de ensino espúrio, fica impossível levarmos a sério o que dizem esses mestres. Quem já encontrou nas páginas do Novo Testamento o apóstolo Paulo ensinando aos crentes a “ si auto – exorcizar?”. Quem encontrou o apóstolo Paulo dizendo que “o crente é santuário do Espírito Santo e dos demônios ao mesmo tempo?”, ou que “um demônio podia ficar alojado somente no corpo do crente? Quem já leu algum texto bíblico relatando que os apóstolos advertiram os crentes, dizendo: “tenham cuidado, vocês podem ter um demônio, sem contudo estarem possuídos por ele?” Esse ensino que dá amplos poderes aos demônios sobre os cristãos é falso pelo menos por cinco razões: 1. É a “posteriori”, isto é, baseia-se na experiência e não na Bíblia. 2. É fruto de uma teologia errada sobre a segurança do crente. 3. É fundamentado numa concepção equivocada sobre a tricotomia humana. 4. É falho em definir o que seja um “cristão” segundo o modelo do Novo Testamento. 5. É fundamentado na má compreensão da terminologia usada no Novo Testamento para a possessão demoníaca.
            Não podemos negar o valor que a experiência tem para nós cristãos, a vida cristã é experimental. Todavia uma experiência cristã alicerça seus princípios na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada. uma experiência divorciada das Escrituras não tem valor para a fé genuinamente evangélica. Aqueles que defendem a possessão demoníaca em cristão não conseguem enquadra essa experiência no modelo dado no Novo Testamento. A interpretação dada à palavra grega daimonizomai, como tendo o sentido de ter demônios (no corpo ou na alma) tem todavia estar possuído por ele, é falha, não contando com o apoio do Novo Testamento grego.
            Por outro lado, quando aceitamos a Cristo como nosso Salvador, mudamos de cidadania, de propriedade e consequentemente de reino e senhor (Cl 1.13). Quando pertencemos ao reino de Deus não existe, portanto, a ideia de copropriedade ou ocupação conjunta. Não podemos ser habitados ao mesmo tempo pelo Espírito Santo e por demônios. Neste aspecto, o cristão em comunhão com Deus está guardado e não há porque temer as forças do mal (Rm 8.38,39; Lc 10.18,19; Ef 6.10-18).
           


 Veja o texto na íntegra no meu livro: POR QUE CAEM OS VALENTES, CPAD