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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Conquistando a sua Fortaleza


Por que muitos crentes estão perdendo a batalha?


Texto extraído do meu próximo lançamento: FORTALEZAS NÃO CONQUISTADAS



Davi conquista a fortaleza de Sião!
“1 Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Somos do mesmo povo de que tu és. 2 Outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu que fazias entradas e saídas militares com Israel; também o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e serás chefe sobre Israel. 3 Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ter com o rei, em Hebrom; e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o Senhor. Ungiram Davi rei sobre Israel. 4 Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; e reinou quarenta anos. 5 Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e seis meses; em Jerusalém, reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá. 6 Partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra e que disseram a Davi: Não entrarás aqui, porque os cegos e os coxos te repelirão, como quem diz: Davi não entrará neste lugar. 7 Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a Cidade de Davi. 8 Davi, naquele dia, mandou dizer: Todo o que está disposto a ferir os jebuseus suba pelo canal subterrâneo e fira os cegos e os coxos, a quem a alma de Davi aborrece. (Por isso, se diz: Nem cego nem coxo entrará na casa.) 9 Assim, habitou Davi na fortaleza e lhe chamou a Cidade de Davi; foi edificando em redor, desde Milo e para dentro. 10 Ia Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o Senhor, Deus dos Exércitos, era com ele. 11 Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros, que edificaram uma casa a Davi. 12 Reconheceu Davi que o Senhor o confirmara rei sobre Israel e que exaltara o seu reino por amor do seu povo” (2 Samuel 5.1-12).

Nenhuma vitória é completa quando há ainda alguma fortaleza para se conquistar. Davi sabia disso. Ele já havia sido ungido rei sobre todo o Israel, mas a fortaleza de Sião estava bem na sua frente como um obstáculo a ser vencido. O homem que já havia sido exilado por dez anos no deserto e que esperara por cerca de vinte anos para reinar sobre toda a nação israelita tinha á sua frente uma fortaleza não conquistada. Conquistar Sião, portanto, era uma questão decisiva para Davi. As razões para essa conquista podem ser de natureza política, administrativa, militar e principalmente espiritual. Wiersbe observa que “Abner e Isbosete haviam estabelecido sua capital em Maanaim (2 Sm 2.8), do outro lado do rio Jordão, na fronteira entre Gade e Manassés, enquanto a capital escolhida por Davi havia sido Hebrom, na tribo de Judá. Porém, nenhuma dessas cidades era adequada para o novo rei, que procurava reunir a nação e começar de novo. Davi demonstrou sabedoria ao escolher como sua capital a cidade de Jerusalém, pertencente aos jebuseus e localizada na fronteira entre Benjamim (a tribo de Saul) e Judá (a tribo de Davi). Jerusalém não havia pertencido a nenhuma  das tribos, de modo que ninguém poderia acusar Davi de favoritismo na instituição de sua nova capital”. [1]
Ainda de acordo com Wiersbe, “as considerações políticas eram importantes, mas também em termos de segurança e de topografia, Jerusalém era a cidade ideal para uma capital. Construída sobre um monte rochoso e cercada de três lados por vales e montes, a única parte vulnerável da cidade era sua face Norte. Ao sul ficava o vale de Hinon, a leste, o vale do Cedrom e a oeste, o vale Tiropeom.”Seu santo monte, belo sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte  Sião , para os lados do Norte, a cidade do grande Rei” (Sl 48.2). “Desde Sião, excelência de formosura, resplandece Deus” (Sl 50.2).  O povo de Israel sempre amou a cidade de Jerusalém, e, hoje em dia, ela é reverenciada por judeus, cristãos e muçulmanos. Por certo, nascer em Jerusalém era uma grande honra (Sl 87.4-6).
O Senhor deve ter guiado Davi de modo especial na escolha de Jerusalém para ser a sua capital, pois a cidade exercia papel estratégico no desdobramento do seu grande plano de salvação. Deus havia prometido aos israelitas indicar um lugar para onde poderiam se dirigir a fim de adorar ao Senhor (Dt 12.1-7), e é bem provável que tenha revelado a Davi que este lugar era Jerusalém. Posteriormente, Davi adquiriu em Sião a propriedade onde o templo seria construído por seu filho, Salomão (2 Sm 24)”.[2]
Não sou adepto dessas teorias mirabolantes sobre batalha espiritual que uma boa parte da literatura evangélica divulga. Todavia não nego que o cristão está envolvido numa batalha espiritual. Rejeito sim o grande enfoque que se dá a Satanás e aos seus demônios nesses manuais de batalha espiritual e libertação. O crente passa a ser quase uma vítima indefesa diante do superpoder que deram aos seres caídos! Isso não é bíblico. Fomos assentados com Cristo nos lugares celestiais acima de todo principado, poder, domínio ou qualquer nome que se possa referir não só  presente século como no vindouro (Ef. 1.20; 2.6). Essa é a verdade bíblica. Em Cristo fomos abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais (Ef 1.3). Temos poder sobre todo principado e potestade nos lugares celestiais (cl 2.15).
Tudo isso que acabei de dizer é fato, devemos ter o maior cuidado com as fortalezas não conquistadas. Não se trata de maldição herdada, mas de crenças, vícios e hábitos errados que foram se formando ao longo de nossa jornada. Essas práticas erradas ou pecaminosas se tornam “cabeça de ponte” onde Satanás encontra apoio para nos atingir (Ef 4.27). Só há uma forma de nos livrarmos dela – conquistando-as! Davi não poderia ser o homem que foi com uma fortaleza pagã instalada bem no meio do seu reinado. Era, portanto, necessário conquistá-la.
Vejamos como ele fez isso e como esses princípios extraídos dessa batalham podem nos ensinar ainda hoje.  
Em primeiro lugar, Davi possuía a atitude de um vencedor – “Partiu o rei...”(v.6).
Davi era um guerreiro experiente e bem treinado: “Ele adestrou as minhas mãos para o combate, de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze” (Sl 18.34). Davi possuía habilidade, mas isso não era tudo. Ele precisava ser um homem com atitude e ele o era. A palavra hebraica Yalak usada nesse texto significa: ir, andar, vir e também mover-se. Não adianta ficar parado, sem fazer nada quando a nossa frente há uma fortaleza para se conquistar. É preciso partir! Faça alguma coisa. Se é preciso orar, ore; se é necessário jejuar, jejue; se é necessário fugir, fuja, mas tome uma atitude.  Lembro que em uma batalha que enfrentei me abstive de 56 refeições durante um período de quatro semanas. Isso aconteceu outras vezes e em todas elas o Senhor me deu vitória. Certa noite eu havia acabado de ministrar a palavra em culto de ensino da sexta-feira na nossa igreja, quando fui procurado por uma irmã. Disse-me que enquanto eu ministrava a palavra de Deus, ela viu algo como se fosse uma motocicleta com os faróis ligados partindo em minha direção para me atropelar. Todavia ela observou que eu era retirado da rota daquele veículo, sofrendo apenas uma pancada na perna. De fato pouco dias depois daquelas palavras ditas por ela, senti todo o peso daquela batalha. Senti que o adversário quis me esmagar, tal como o Senhor a revelara, mas Deus me guardou de uma forma maravilhosa. Um arranhãozinho aqui, outro ali, faz parte da batalha. O que não podemos é ser abatido e perder a guerra. A Ele toda honra e glória.
Em segundo lugar, Davi não aceitou como verdade aquilo que o inimigo dizia – “Os jebuseus...falaram a Davi: não entrarás aqui, a menos que lances fora os cegos e o coxos; querendo dizer: Não entrará Davi aqui” (v.6). Essas palavras significam que os habitantes de Jerusalém, os jebuseus, acreditavam que a cidade deles era inexpugnável e jamais poderia ser vencida. Para eles até mesmo os cegos e coxos poderiam defendê-la. Se Davi tivesse aceitado como verdade essa mentira do inimigo, jamais teria conquistado Jerusalém. Acredito que muitos vivem em prisões espirituais, com fortalezas não conquistadas porque o inimigo consegui convencê-los de que essa fortalezas jamais podem ser derrubadas. É uma mentira, mas quando aceita como verdade passa a condicionar a vida de quem acredita nela.
Em terceiro lugar, Davi sabia que era necessário destruir aquilo que o inimigo usa como trunfo – “Porque disse Davi naquele dia: Qualquer que ferir aos jebuseus, e chegar ao canal, e aos coxos e cegos, que a alma de Davi aborrece, será cabeça e capitão. Por isso se diz: Nem cego nem entrará nesta casa” (v.8).
O inimigo é arrogante. Insinua que o servo de Deus não é capaz de vencer nem mesmo aquilo que demonstra ser insignificante, então como vencerá as suas fortalezas que ele construiu ao longo dos anos? A lógica parece perfeita, mas o homem de Deus não luta fundamentado nas regras da lógica, mas da fé (2 Crônicas 20; Hebreus 11). Pela fé caíram as muralhas de Jericó (Hb 11.30). Pela fé você também não somente conquistará a sua fortaleza, mas também destruirá aquilo que o inimigo costumava usar como trunfo contra você. Qual é o seu ponto fraco? É dinheiro? Sexo? Ou é a fama? Se você quer vencer a guerra, mas possue fortalezas não conquistadas nessas áreas, então primeiro é melhor você avaliar a situação. O inimigo pode acusá-lo dizendo que você não é capaz nem mesmo de se livrar do sexo virtual, então como querer enfrentá-lo naquilo que ele se acha mais forte? Não subestime o adversário, mas aja pela palavra de Deus conquistando primeiramente aquilo que o inimigo exibe como troféu contra você.
Em quarto lugar, Davi construiu uma nova fortaleza no lugar da antiga – “Assim habitou Davi na fortaleza , e lhe chamou a cidade de Davi: e Davi foi edificando em redor, dede Milo até dentro’ (v.9).
Não basta destruir a antiga fortaleza, é necessário construir uma nova no lugar da velha! O texto diz que “Davi foi edificando até Milo”. Não basta destruir um antigo hábito, é preciso construir um novo no lugar dele. A batalha se intensifica justamente nesse ponto! E por quê? Por que muitos estão mal habituados, não se disciplinaram e por isso nunca construíram de fato um hábito saudável. Os velhos hábitos enraizados são os que costumam levar alguém à queda. Só há uma forma de vencer isso – abandonar o velho hábito e colocar em seu lugar um novo. O seu comportamento pode ser mudado a partir do seu caráter. Isso significa que você deve trabalhar o seu caráter, que por sua vez gerará novas atitudes que desaguarão em um novo comportamento. Todavia os estudiosos do comportamento humano afirmam que você pode fazer o caminho inverso. Você muda primeiramente o seu comportamento, que por sua vez gerará novas atitudes, que por sua vez moldarão o seu caráter!
Houve um tempo que eu parecia estar dominado pelo café. A cafeína parecia ter criado em mim zonas de dependência e por isso resolvi passar dois anos sem tomar café. Durante dois anos não tomei café! Fiz isso também com o futebol. Às vezes já estava de saída para a igreja, mas as chamadas para a “grande decisão” de dois grandes clubes brasileiros fazia com que eu fosse para o trabalho do Senhor com a mente no jogo! O que fiz? Parei de assistir futebol pela TV também por um período de dois anos! Hoje vejo futebol, mas sem aquele fascínio que ele exercia em mim como antes. Hoje posso ver futebol ou posso não ver; tanto faz como tanto fez. Não torço por time algum. Quando estive em Madri, Espanha, alguns colegas me convidaram para assistir ao jogo do Real Madri contra o Atlético de Madri no Santiago Bernabeu, o grande templo do futebol, mas não me senti motivado para aquele tipo de evento. Preferi ficar no Hotel com a minha esposa.
Em quinto lugar, reforce suas defesas – “E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o Senhor Deus dos Exércitos era com ele” (v.10).
Davi expandia cada vez mais o seu reino e dessa forma crescia mais ainda em poder! O que você está fazendo para reforçar suas defesas? Devemos lembrar das palavras do Senhor: “Vai e não peques mais para que não te suceda coisa pior” (João 5.14; 8.11). Se você possue um mal hábito ou vício e conseguiu vencê-lo, então tome cuidado reforçando o hábito novo! Evite situações que podem enfraquecê-lo ou derrubá-lo novamente. Continue crescendo em vitória como fez Davi.
Em sexto lugar, Davi sabia que fazia parte de um projeto divino ­– “E entendeu Davi que o Senhor o confirmara rei sobre Israel, e que exaltara o seu reino por amor do seu povo” (v.12).
Essa é a razão maior de nossa existência! Tudo aqui é efêmero, mas aquele que faz a vontade do Senhor permanecerá para sempre! Vá em frente, conquiste a sua fortaleza e o Senhor será contigo!








[1] WIERSBE, W. Warren. Comentário Bíblico Expositivo – históricos. Ed. Central Gospel.
[2] Idem.