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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Como construir relacionamentos duradouros

A Lança e a Harpa
Por que pastores estão se matando?

                                                                                                                                                 


“1 Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. 2 Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai. 3 Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. 4 Despojou-se Jônatas da capa que vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a espada, o arco e o cinto. 5 Saía Davi aonde quer que Saul o enviava e se conduzia com prudência; de modo que Saul o pôs sobre tropas do seu exército, e era ele benquisto de todo o povo e até dos próprios servos de Saul. 6 Sucedeu, porém, que, vindo Saul e seu exército, e voltando também Davi de ferir os filisteus, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando, com tambores, com júbilo e com instrumentos de música. 7 As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares. 8 Então, Saul se indignou muito, pois estas palavras lhe desagradaram em extremo; e disse: Dez milhares deram elas a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino? 9 Daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos. 10 No dia seguinte, um espírito maligno, da parte de Deus, se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em casa; e Davi, como nos outros dias, dedilhava a harpa; Saul, porém, trazia na mão uma lança, 11 que arrojou, dizendo: Encravarei a Davi na parede. Porém Davi se desviou dele por duas vezes. 12 Saul temia a Davi, porque o Senhor era com este e se tinha retirado de Saul. 13 Pelo que Saul o afastou de si e o pôs por chefe de mil; ele fazia saídas e entradas militares diante do povo. 14 Davi lograva bom êxito em todos os seus empreendimentos, pois o Senhor era com ele. 15 Então, vendo Saul que Davi lograva bom êxito, tinha medo dele. 16 Porém todo o Israel e Judá amavam Davi, porquanto fazia saídas e entradas militares diante deles” (1 Sm 18.1-16).



Em 2009 comentei a história do rei Davi nas Lições Bíblicas de Jovens e Adultos da EBD do 4º trimestre. As centenas de e-mails recebidos testificaram que esse comentário trouxe edificação para a igreja do Senhor nos lugares mais longínquos. Saul e Davi, portanto, continuam falando ainda hoje! Na ocasião, fiz um contraste entre as vidas desses reis que deram início à monarquia no Antigo Israel, chamando a atenção para seus acertos e também para seus erros. Ambos tiveram acertos e erros. Saul não foi um bom rei e Davi não foi um bom pai! Todavia se sobressaiu como o homem segundo o coração de Deus!
Chamei a atenção para o fato de que um dos princípios da vocação divina é a soberania de Deus (1 Cr 28.4,5). Todavia, isso não significa que Deus não leve em conta a responsabilidade humana na realização de seus propósitos (1 Cr 28.6,7).
Saul subiu ao trono em resposta à pretensão do povo (1 Sm 8.4-6), que, após ouvir  a “descrição” divina do perfil do rei (1 Sm 8.9-18), respondeu categoricamente: “Não, mas haverá sobre nós um rei. E nós também seremos como todas as  nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras” (VV.19b,20). Assim, de acordo com o discurso do apóstolo Paulo na sinagoga de Antioquia, Deus deu Saul em resposta ao clamor do povo e segundo o que eles idealizaram (At 13.21). Em seguida, Paulo declara que Deus “levantou como rei a Davi” (At 13.22). Enquanto Davi foi levantado em decorrência da vontade divina (1 Sm 13.13; 15.26-28; 16.1), Saul foi dado por Deus segundo o desejo de Israel de ter alguém com o perfil desse rei (1 Sm 9.14-20; 10.17-27).
Isso mostra que a escolha divina de homens para o seu serviço leva também em conta a liberdade humana e não a invalida. Saul não estava predestinado ao fracasso (1 Sm 13.13), tampouco Davi estava destinado ao sucesso continuamente (1 Rs 11.38). Contrastando a vida de ambos, observamos que os dois foram ungidos da parte  de Deus por Samuel sob iguais condições de conduzirem o reino de Israel. Mas a forma como cada um procedeu ante a esse chamado foi muito diferente.
Alem desses fatos, destacam-se também estes:
1.                  Saul foi chamado quando procurava jumentos; Davi quando cuidava das ovelhas (1 sm 9.3; 1 Sm 16.11). Talvez seja por esse fato que Saul tenha sido um rei duro, enquanto Davi era mais amável. Quem cuida somente de jumentos não tem traquejo quando cuida de gente!
2.                  Saul agiu como chefe; Davi como líder (1 Sm 22.1,2). O chefe manda, impõe, enquanto o verdadeiro líder serve. O chefe gerencia coisas, objetos e instituições; o líder lidera pessoas!
3.       Saul gostava da “posição”; Davi amava a unção (1 Sm 15.30; 16.13).
4.                  Saul fazia o que gostava; Davi gostava do que fazia (1 Sm 13.9; 15.25,32). Enquanto Saul fazia o que bem queria, Davi buscava a orientação de Deus e se deleitava naquilo que fazia. Procurava fazer aquilo que agradava a Deus e não simplesmente aquilo que satisfazia o seu ego.
5.                  Saul era um homem que agia como menino; Davi era um menino que agia como homem (1 Sm 18.17; 24.16; 1 Sm 17.33).
Saul sempre foi um “meninão”, nunca cresceu. Por outro lado, Davi embora sendo ainda um garoto, se comportava como gente grande!
6.                  Saul venceu batalhas, mas perdeu a guerra; Davi perdeu batalhas, mas venceu a guerra. (1 Sm 31.8; 1 Sm 27.1,2; 2 Sm 5.1-4).
7.                  Saul aprendeu a liderar no palácio; Davi aprendeu a liderar no deserto (1 sm 16.19,22; 1 Sm 18.16; 22.1-2).
Há muitos ainda que não passaram na verdadeira escola de treinamento. São crentes criados com ração, e à semelhança dos frangos de granjas que possuem um crescimento prematuro. Crescem rápido, mas morrem rápido.
8.                  Saul foi primeiramente rei e posteriormente adorador; Davi foi primeiramente adorador e depois rei (1 Sm 14.35; 16.18; 14.35; 16.18).
9.                  Saul possuía armas, mas não ousou enfrentar o gigante; Davi não possuía armas mas venceu o gigante (1 Sm 17.40; sl 34.18).
10.              Saul destruía relacionamentos; Davi construía relacionamentos (1 Sm 18.9; 18.16).
11.              Saul possuía o reino, mas não o reconhecimento; Davi mesmo quando não reinava era reconhecido (1 Sm 18.7)
12.              Saul era um rei que “profetizava”; Davi era profeta que reinava (1 Sm 19.18; At 2.30).
13.              Saul aconselhou-se com um a médium de En-dor; Davi com Abigail, a carmelita (1 Sm 28; 1 Sm 25)
14.              Saul quando pecou foi rejeitado; Davi quando pecou foi restaurado (1 Sm 15.28; 2 Sm 12.13).
15.  Saul trazia na mão uma lança; Davi andava com a harpa! ( 1 Sm 18.10).

Vemos, portanto, que história de Saul possue grandes semelhanças com a história do profeta velho descrita no primeiro livro dos Reis (1 Rs cap.13) e tipifica o obreiro cujo ministério saiu de sua rota! Possui um começo esplendoroso, mas um fim horroroso. Começa com uma coroa sobre a cabeça e termina com uma lança na mão. O ministério ficou velho, perdeu o seu encanto e ficou amargo! Na verdade, a queda de Saul começou quando quis governar apenas para atender a uma demanda popular (1 Sm 13.11) e se completou quando pôs seus desejos pessoais acima da palavra de Deus (1 Sm 15.1-31).
O texto de 1 Samuel 18.10 é emblemático: “No dia seguinte, um espírito maligno, da parte de Deus, se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em casa; e Davi, como nos outros dias, dedilhava a harpa; Saul, porém, trazia na mão uma lança”. Enquanto Davi andava com uma harpa, Saul vivia armado com uma lança! É um perigo quando o crente troca a harpa pela lança! Deveria acontecer o contrário: trocar a lança pela harpa! A harpa é um símbolo de louvor, adoração e gratidão; a lança, ao contrário, é um símbolo de guerra, conflito e frustração!
Depois de Por Que Caem os Valentes, observei que esse sim é um dos motivos que tem levado muitos guerreiros à lona! A quantidade de cristãos, especialmente pastores, que estão conduzindo lanças é enorme! Estão armados até os dentes! E mais: estão prontos a matarem quem ficar em seu caminho. É preciso desarmá-los com urgência!
Vejamos, pois, o que acontece quando não se troca a lança pela harpa:
1.                  Se você der vazão à inveja, então você usará uma lança e não uma harpa – (1 Sm 18.6-10).
Saul teve inveja do sucesso de Davi! Eu também já tive inveja e dou graças a Deus porque tratei dela antes que alguém fosse ferido e morto! Todavia já fui invejado por alguém que não relutou usar a sua lança, de ponta bem afiada, para me matar! Se não fosse a misericórdia do Senhor em ter desviado aquela lança da minha direção, hoje eu estaria morto.  A lança veio na forma de uma carta endereçada à Convenção de Pastores na qual sou filiado. A sua redação dizia que eu estaria por trás de um movimento para desestabilizar determinado obreiro da direção de sua igreja. Não fosse o Senhor ter me revelado esse fato três meses antes do ocorrido, hoje eu estaria morto! Três meses antes dessa carta acusatória ser endereçada à nossa Convenção, eu acordei agitado certa madrugada! O sonho que tive deixou-me sem sono. Naquele sonho o Senhor mostrou-me um homem com um processo na mão. Vi escrito no processo uma acusação contra mim. Quando despertei, senti minha alma angustiada e compartilhei isso com minha esposa. Senti claramente que Satanás iria usar alguém para me caluniar. Resolvi então a partir daquele momento entrar numa batalha de jejum e oração para que o Senhor anulasse aquele processo contra mim. Por vinte e quatro horas eu não comi nem bebi. Logo após aquele jejum, o Senhor me deu uma outra visão. Nela, Ele me mostrou que anularia aquela acusação que fora feita contra mim. Foi o que de fato aconteceu! Muitos anos depois aquele obreiro teve que lidar com um processo de fragmentação na sua igreja motivado por seus próprios auxiliares; e todos puderam constatar que não havia a mínima possibilidade disso ter alguma relação comigo. Deus é fiel!  
Infelizmente a lança da inveja parece ser a arma que mais encontramos nas mãos de crentes e pastores! Quando um obreiro possue essa arma as consequências de suas ações podem ser letais.  É comum vermos pregadores invejando outros; escritores invejam da mesma forma; cantores estão constantemente armados de lança querendo matar uns aos outros! As lanças se multiplicam!
2.      Se você tem fome de poder, então você vai usar uma lança e não uma harpa – (1 Sm 18.17).
Saul amava o poder e queria se perpetuar nele! Essa é uma lança perigosíssima e é encontrada com frequência em convenções de pastores! A disputa por cargo costuma revelar excelentes lançadores! Eles sabem arremessar as suas lanças e as arremessam para matar! São calúnias, difamações e intrigas, tudo revestido do discurso de que se busca a moralização da coisa! Nada disso! O alvo mesmo é matar o outro para ficar em seu lugar. A estratégia de muitas convenções em criar os cargos de 2º vice-presidente, 3º vice-presidente; 4º vice-presidente e 5º vice-presidente, nada mais é do que uma tentativa de desarmar potenciais lançadores! Mas não é somente em Convenções que as lanças se encontram afiadas, nas igrejas também. Já vi crente sair do templo zangado simplesmente porque alguém esqueceu de apresentá-lo. Ele sai zangado da igreja e com a lança na mão pronto a ferir o primeiro que encontrar.  
3.                  Se você não possue um espírito alegre, você vai usar uma lança e não a harpa – (1 Sm 18.10).
Saul vivia emburrado com crise de raiva. Nenhuma nota de louvor se ouvia dos seus lábios! Davi, ao contrário do seu compatriota, vivia sempre alegre dedilhando a sua harpa. Descobri que as pessoas mal humoradas sempre conduzem lanças! Estão sempre armadas e se incomodam com quem não está. Não gostam de quem é extrovertido ou possue um espírito alegre e vive sempre de bom humor.
4.                  Se você não consegue estar com o povo, “se enturmar”, então você irá usar uma lança e não uma harpa (1 sm 18.13; 18.16).
Enquanto Davi vivia sempre com o povo, Saul ao contrário parece viver sempre emburrado! Uma das características da depressão é justamente o desejo de se isolar. Falei sobre isso quando comentei a história do profeta Elias e seu surto depressivo. Elias tão logo foi confrontado por Jezabel, esposa do rei Acabe, fugiu para o deserto do Sinai. Posteriormente, o Senhor tratou do profeta, e nenhuma sequela desse mal pode ser mais encontrado nele. Mas esse mal está presente ainda hoje, em especial na vida daqueles que não toleram estar com o povo. Não conseguem criar vínculos com ninguém e seu circulo de relacionamentos é sempre fechado. Essas pessoas possuem um potencial enorme de se armarem com lanças! Quando possuem alguma amizade  com alguém não querem que ninguém mais se aproxime do seu “amigo”. O amigo ou amiga é somente dela ou dele. Começam a espetar ou lançar quem se aproxima! Mentem, fuxicam e até mesmo brigam para que o seu círculo permaneça sempre fechado. Precisam urgentemente trocar a lança pela harpa.
5.                  Se você quer matar ou já matou um profeta, você tem uma lança e não uma harpa (1 Sm 22.17).
Saul mandou matar os sacerdotes de Nobe, num total de 85 homens. Conheço alguns profetas e pastores que foram mortos por lanças de pessoas que não suportaram o sucesso deles! Parece-se muito com a história do vaga-lume e a serpente. Depois de observar inúmeras tentativas da serpente querendo destruí-lo, o vaga-lume perguntou-lhe: “ Por que você quer me matar?”. A serpente respondeu: “Por que você brilha!”. Muitos estão querendo matar alguém simplesmente por se sentirem incomodados com o seu brilho.  Eu também já tive o meu ministério ameaçado de morte simplesmente porque aquilo que o Senhor estava realizando por meu intermédio causou inveja e ciúmes. Vamos orar para que as lanças sejam tiradas das mãos dos assassinos de profetas!
6.             Se em um dia você está profetizando e em um outro está matando, você tem uma lança e não uma harpa (1 Sm 19.18-24).
Saul conseguia profetizar e matar ao mesmo tempo! Em um dia estava profetizando e no outro matando! Muitos crentes não entendem porque os sem caráter possuem carismas! Carisma é dom, caráter é fruto. É possível alguém possuir algum dom, mesmo sendo carnal. Todavia assim como Deus julgará os maus caráter, Ele também julgará os sem caráter.  Já vi gente falar línguas estranhas, muito estranha, e em seguida lançar o seu próximo. Quem nunca viu aqueles pedidos de perdão, principalmente em encontros de obreiros, onde lançados e lançadores se abraçam! Não é, portanto, possível profetizar e matar ao mesmo tempo e ainda assim continuar sendo um homem de Deus.
7.                  Se você não se orienta pela palavra de Deus, você vai usar uma lança e não uma harpa (1 Sm 15.11).
A queda de Saul está no fato de não se orientar pela palavra de Deus. Quando não buscamos nos guiar pela palavra de Deus, então é muito fácil usar uma lança! O crente é aconselhado a usar uma espada (Ef 6.18) e não uma lança. A lança só é usada por quem não sabe manusear a espada (! Tm 2.15). Quem não se orienta pela palavra de Deus estará sempre propenso a usar uma lança.
8.                  Se você tem uma lança e não uma harpa, permita que Deus quebre essa lança hoje e então você será abençoado (Sl 46.9).
A Bíblia diz que o Senhor quebra o arco e despedaça a lança. Troquemos, pois, a lança pela harpa!