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sábado, 24 de agosto de 2013

A Atualidade da sabedoria bíblica - uma análise dos livros de Provérbios e Eclesiastes


José Gonçalves 


Os livros de Provérbios e Eclesiastes, ambos da autoria de Salomão, são classificados como “Literatura Sapiencial”, isto é, de Sabedoria. São livros recheados de conselhos e máximas que revelam um saber divino para vida cotidiana!
O propósito do livro de Provérbios está declarado nos seis primeiros versículos do capítulo primeiro. Esses versículos nos revelam que o propósito do livro é produzir sabedoria e fazer com que seus leitores aprofundem-se mais ainda na verdadeira sabedoria. Por outro lado, o livro de Eclesiastes, ao contrário do que muitos pensam, não apresenta uma espécie de ceticismo ou desencanto com a vida. O livro revela sim, a avaliação feita por alguém que teve o privilégio de viver a vida com intensidade e descobrir que a mesma é totalmente vazia se não vivida em Deus!
Vejamos, pois, de uma forma panorâmica os principais temas abordados nesses livros:

1.      Sexo

O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre a sexualidade. Nos Provérbios a sexualidade humana é uma dádiva divina. Uma boa parte dos conselhos de Salomão diz respeito a sexualidade humana e a sua forma correta de expressão. Assim sendo ele dedicou boa parte de três capítulos do seu livro para falar de uma forma profunda sobre o sexo e os desvios aos quais ele está sujeito (Pv 5.1-23; 6.20-35; 7.1-27; 9.13-18). Por outro lado, a sexualidade também é algo próprio do homem. Somos humanos e o sexo faz parte de nossa natureza humana e é por isso que estamos sujeitos à tentação! No céu na haverá necessidade da expressão sexual (Mt 22.30) por isso devemos buscar expressar nossa sexualidade com amor dentro dos limites estabelecidos pelo criador.

2.      Trabalho

A princípio convém dizer que a ideia de prosperar e enriquecer por outros meios que não seja o trabalho é completamente estranho à Escritura. O Deus da Bíblia faz prosperar, mas ele o faz através do trabalho (Dt 8.18). No livro de Provérbios há muitas metáforas para ilustrar a natureza do trabalho e a nossa relação com ele. Por exemplo,  a metáfora do celeiro e do lagar, representa uma vida abundante! Uma vida com fartura! Na metáfora das formigas, o Sábio nos exorta a tomarmos uma atitude frente a realidade da vida. Aqui esses insetos nos ensinam sobre a necessidade da tomada de atitude e também sobre economia doméstica (Pv 6.6-8). Na metáfora do preguiçoso e do leão, aprendemos que não adianta arrumar desculpas para fugir do trabalho. Em uma outra metáfora, a dos espinheiros, aprendemos que precisamos enfrentar as lutas da vida.

3.      Dinheiro

O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre o dinheiro, principalmente sobre as práticas da fiança e do empréstimo. “Quem fica por fiador de outrem sofrerá males, mas o que foge de o ser estará seguro” (Pv 11.15). Precisamos tomar cuidado em ser fiador ou avalista de alguém! Por outro lado, precisamos tomar cuidado também com a prática de empréstimos. Podemos emprestar ou tomar emprestado e não há nada de errado nisso desde que se cumpra com o compromisso firmado. Salomão também fala sobre a usura ou agiotagem.  Lamentavelmente há muita gente crente lucrando por meio da usura ou agiotagem. Emprestam dinheiro a juros exorbitantes! E o que é mais grave – alguns desses agiotas são obreiros! Já ouvi histórias de irmãos que tiveram seus bens confiscados e espoliados por obreiros porque não conseguiram pagar os juros estratosféricos cobrados. Alguns perderam lojas ainda outros perderam veículos. É lamentável que isso possa ocorrer no meio do povo de Deus.

4.      Língua

Salomão tem muito a dizer sobre a língua! Convém dizer as palavras não tem vida própria. Uma tendência bíblica, que é o de dar vida às abstrações e personificá-las tem levado muitos ao equívoco de pensar que as palavras tem existência independente de Deus e do homem. Não, não tem! A Palavra de Deus é poderosa porque foi Deus quem a disse ou que mandou falar, mas não porque tenham vida independente do próprio Deus (Sl 107.20; Is 9.8). Da mesma forma as palavras humanas não tem poder em si mesmas (Sl 85.11; 107.42; Jó 5.16; 11.14; 19.10).  Por outro lado, dependendo do contexto onde são faladas e por quem são faladas e ainda por quem as ouve, as palavras podem machucar, ferir ou até mesmo matar.

5.      Família

Há duas coisas básicas que devemos observa numa família quando o assunto em pauta é a educação dos filhos. O primeiro é que educar não é satisfazer vontades, mas atender necessidades. Uma criança pode ter vontade de comer chocolate o dia todo, mas o que ela realmente precisa é de arroz, feijão, carnes, etc, para que tenha o seu crescimento saudável. É preciso que se estabeleça limites não somente na área da alimentação, mas principalmente na área dos valores morais e espirituais. Em segundo lugar, educar exige correção,mas  não agressão! Muitos pais são totalmente omissos na educação dos filhos e quando querem educar recorrem a agressão física para fazer valer sua autoridade.

6.      Humildade e arrogância

O livro de Provérbios se refere por diversas vezes aos termos contrastantes: “humildade” e “arrogância”, mas sempre dentro do contexto das interações humanas.  Dessa forma para se conhecer quem é o sábio, o autor de Provérbios põe no cenário como figura contrastante, o insensato. Mas Provérbios vai mais além – tanto a humildade como a arrogância serão melhor compreendidas quando se observa, além do sabido versus o insensato, também figuras contrastantes como: o justo versus o injusto; o rico versus o pobre e o príncipe versus o escravo. 

7.      Mulheres

O poema de Provérbios 31.1-31 consegue nos fazer enxergar qual é o verdadeiro valor da mulher e dessa forma serve de manual como a mesma deve ser tratada. Mas uma coisa fica logo em evidência – o Sábio não fala de qualquer mulher! Não, ele fala da mulher virtuosa, aquela que possui virtudes e valores morais e espirituais.  Uma mulher que teme a Deus. Essa “Mulher Virtuosa” de Provérbios 31.1-10 contrasta com a “Mulher Vil” de Provérbios 11.22. Ao contrário da Mulher Virtuosa, a Mulher Vil é totalmente desprovida das virtudes e valores morais. Ambas são chamadas de “formosas”, mas a formosura da mulher Virtuosa é mais de natureza ética do que estética. É mais interior do que exterior. Ela tem em Deus a fonte de tudo isso! É por isso que ela merece ser ovacionada.
Se há sete temas específicos sobre os quais Salomão dar conselhos nos Provérbios, em seu livro de Eclesiastes encontramos pelo menos cinco deles:

1.      O uso do tempo

Salomão fala primeiramente sobre a transitoriedade da vida.  A vida é efêmera, passageira (Ec 1.4). Sendo vida tão curta, “que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” (Ec 1.3). É o que o Pregador procurará responder. Muitos procuram driblar e viver fugaz com as mais várias formas de satisfação. Há aqueles que acham que possuir muita sabedoria resolveria o problema (Ec 1.16-18; 2.12-16);  enquanto outros buscam no prazer essa mesma resposta (Ec 2.1-3); ainda outros procuram compensar isso com uma vida cheia de posses (Ec 2.4-11) e por último há aqueles que buscam suas realizações no próprio trabalho (Ec 2. 17-23).  Tudo é vaidade! O centro de realização e satisfação não está nessas coisas.

2.      Obrigações, votos e orações.

Salomão discorre no capítulo 5 de Eclesiastes sobre a adoração em um contexto onde se contrastam a obrigação e a devoção.  Como devotos temos direitos, mas também possuímos deveres. E essas obrigações não se limitarão apenas ao mundo religioso, mas também ao universo político-social. Eclesiastes mostrará que essas obrigações serão melhores compreendidas quando vistas à luz dos os atributos de Deus, tais como: Santidade, transcendência e imanência.  Essas obrigações, portanto, são de natureza político-social e também espiritual. Diante dos homens e também diante de Deus.

3.      O justo e o ímpio

Uma das constatações feitas por cristãos piedosos ao longo da história é a de que os justos sofrem e os ímpios prosperam. Essa verdade vem confirmar as palavras de Salomão. Mas como Salomão, os cristãos piedosos chegaram a conclusão que a justiça é sempre melhor do que a injustiça e é preferível ser sábio do que estulto. E isso por uma razão bem simples – seremos medidos pela régua da eternidade e não pelas contingências da vida.

4.      Empreendedorismo e missões

Salomão exorta seus leitores sobre a necessidade de se tomar uma atitude na vida e os convida a lançar o pão sobre as águas. Para ele nada adiantava ficar parado vendo a vida passar. Era preciso viver a vida com atitude e propósito. O sábio está dizendo: vá, não fique aí parado! Viva a vida com propósito! Viva a vida com uma atitude. Por outro lado, somos embaixadores ou representantes de Deus numa missão oficial (Is 6.8; Jr 1,7; Ez 2.34; Jz 6.8).

5.      Temor a Deus

            Na conclusão das suas reflexões sobre o viver debaixo do sol, Salomão faz uma reflexão contrastante sobre a vida e seus diferentes momentos. São estágios bem definidos: Juventude e velhice; alegria e tristeza; vida e morte; presente e futuro; o temporal e o eterno. Ele fala da juventude, mas é a partir de uma análise nua e crua da velhice. Fala da vida, mas é com os olhos fitos na morte; ele fala do presente, mas é a partir do futuro; fala do temporal, mas seus olhos estão voltados para o eterno; fala da criatura, mas seu alvo é o Criador; fala do nosso aprazimento aqui, mas sem perder de vista o julgamento final.




José Gonçalves, pastor da Assembleia de Deus em Água Branca, Piauí, escritor e comentarista de Lições Bíblicas de Jovens e Adultos da CPAD.