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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O comportamento do cristão em uma sociedade não cristã!

CINCO COISAS QUE EU NÃO GOSTARIA QUE ACONTECESSEM EM 2014!


1. O envolvimento de pastores com política partidária!


2014 é um ano eleitoral e a tendência é que a igrejas passem a ser cortejadas pelos políticos. Pastores devem pastorear e deixar para aqueles que foram chamados para a vida pública essa missão. Nunca devem permitir que seus púlpitos se transformem em palanque eleitoral. O púlpito é sagrado e dele deve sair a pregação inspirada e não o discurso inflamado! O pastor deve votar, mas jamais declarar em quem vai votar, pois se assim o fizer inevitavelmente criará partidos na igreja!. Sua missão deve ser de orientar o voto consciente, mas jamais por cabrestos em quem pensa diferente, afinal o voto é livre!


2. O mal uso do Facebook por parte dos cristãos!



Infelizmente muitos cristãos são de uma imprudência que beira a insensatez. Se fossem mais prudentes não falariam mal das suas igrejas; de seus pastores, afinal o que é privado não deve ser exposto ao público! Tem alguma coisa contra seu irmão ou contra pastor, então procure para conversar! Não deveriam também, por exemplo, expor seu nudismo, tais como fotos sensuais; sem camisa, etc. A privacidade de sua casa deve ficar com você, não interessa a ninguém, muito menos a mim! Evitariam postar toda fofoca que é veiculada na internet, principalmente os vídeos onde pastores, seja de que denominação for, foram flagrado fazendo sexo ilícito. Evitariam "curtir" sites pornográficos, quer seja de gays ou de mulheres nuas!

3. Igrejas se dividindo

Esse é um mal que afeta toda as denominações! Vivemos uma implosão de igrejas nunca vista antes na história. As razões são várias, desde o envolvimento de líderes com heresias; ou quando o líder não aceita ser corrigido quando comente um pecado moral; ou ainda quando determinado líder quer mais espaço e começa um processo litigioso com sua igreja de origem - é uma guerra por liderança. Nesse caso mais um grupo surgirá inevitavelmente, e inevitavelmente muitas pessoas ficarão ressentidas, magoadas e feridas. A igreja sofre!

4. Arminianos querendo ser calvinistas!

É uma incongruência quando um arminiano deseja virar um calvinista. É confusão na certa! Vou explicar! De uma forma bem simples, um arminiano é alguém que crê que o homem é livre para escolher - é aquilo que comumente chamamos de "livre-arbítrio"! A propósito, não é apenas um ensinamento bíblico, mas também jurídico e filosófico! Juridicamente e filosoficamente ninguém pode ser condenado ou inocentado se ele não possuísse uma moral livre! O conceito de moralidade é condicionado a uma vontade livre. Por outro lado, um calvinista não acredita dessa forma! Ele crê que alguns, independentemente de suas vontades de escolhas, já estão sentenciados - uns para a condenação e outros salvação. Não consigo entender como alguém que aceita o conceito de vontade livre pode querer ser um "Reformado" ou "Calvinista". A propósito, eu sou arminiano, pelo simples fato dessa doutrina ser bíblica!.

5. Pentecostais querendo ser cessacionistas!

Todo pentecostal crer ou deveria crer na atualidade dos dons! A maioria das igrejas históricas não creem na atualidade dos dons. Elas acreditam que os dons cessaram com os apóstolos, por isso mesmo não chamadas de cessacionistas! Com o advento do pentecostalismo no final do século 19 e início do século vinte essa crença cessacionista sofreu um duro golpe. Se defendeu como pode: acusando pentecostais clássicos de hereges; de endemoninhados, etc. Mas apesar desse fogo cruzado o pentecostalismo sobreviveu! Hoje são poucos os cristãos das igrejas históricas (leia-se tradicionais) que não acreditam na atualidade dos dons! Não aceitam as Línguas Desconhecidas (Estranhas) como prova do batismo no Espírito Santo, mas acreditam na sua existência (atualidade) hoje. Aqueles que não querem dar o braço a torcer, acreditando na atualidade dos dons, preferem acreditar na teoria do "normativo" e do "narrativo". Esse foi um artifício criado por John Stott em seu livro BATISMO E PLENITUDE para tentar rebater a crença pentecostal. Mas o livro de Stott possui aporias (contradições) que acabam anulando o seu argumento (veja um estudo detalhado que eu fiz sobre as posição de Stott em meu livro DEFENDENDO O VERDADEIRO EVANGELHO, no capítulo intitulado: UMA RESPOSTA PENTECOSTAL).
Sou pentecostal, falo em línguas e quando o Senhor quer, as interpreto. Sou pentecostal, acredito em profecias e as vezes quando o Senhor quer profetizo também. Sou pentecostal e acredito na atualidade dos dons.

Pode o cristão mandar em Deus?

A TERRA MANDA NO CÉU?


Com a ascensão da chamada teologia da prosperidade, o texto de Mateus 16.19 ganhou ênfase especial: “E eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”. Baseados nessa passagem bíblica, alguns pregadores adeptos da teologia da prosperidade começaram a “determinar” e até mesmo “mandar em Deus”. A lógica parece perfeita: se o que eu ligo aqui na terra será ligado no Céu, então parece bastante obvio que a terra manda de fato no Céu. É só determinar e pronto! Esse ensino tem provocado atitudes absurdas. Por exemplo: Para que gastar longas horas em oração, se podemos simplesmente “determinarmos” que Deus faça isso ou aquilo? Para que suplicar algo a Deus, se Ele tem o “dever” ou até mesmo a “obrigação” de endossar o que se determina?


Outro dia eu andava por um bairro da periferia da minha cidade e fiquei surpreendido com uma cena que presenciei. Encontrei duas jovens pertencentes a uma dessas igrejas praticantes da “Teologia da Determinação”. Elas estrategicamente se moviam de um lado para o outro da rua. Aproximei-me e as indaguei o que estavam fazendo ali. A mais velha disse-me que estavam “determinando” a saída de satanás daquela área! Aquele episódio deixou-me perplexo, pois aprendi pela Bíblia Sagrada que a melhor maneira de fazer o diabo ir embora de um lugar é através da ação evangelística da igreja: “Então saíram e pregaram que todos se arrependesse; e expulsavam muitos demônios” (Mc 6.12,13). A pergunta, portanto, é: “Qualquer coisa que fizermos aqui será endossada pelo Céu?”


ANÁLISE EXEGÉTICA


Primeiramente, vejamos as duas formas diferentes como esse texto do Evangelho de Mateus tem sido traduzido em nossas versões em português:


a) Almeida Revista e Corrigida (ARC) – “E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

b) Almeida Revista e Atualizada (ARA) – “Darte-ei as chaves do reino dos céus, o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra será sido desligado nos céus”.

No original grego, as expressões éstai dedeménon (ligar) e éstai lelyménon (desligar) são um perfeito perifrásico. No grego, o tempo perfeito indica uma ação ocorrida anteriormente, mas com reflexos no presente. Ao comentar o sentido do uso do perfeito perifrásico nesse texto, o especialista D.A Carson diz que, nessa passagem, estamos diante de uma “questão paradigmática”, e comenta: “Neste caso, questões paradigmáticas realmente rompem barreiras e fazem a evidência decididamente perder para a tradução ‘b’’’. Em palavras mais simples, Carson traduz esse texto como “Terá sido ligado/terá sido desligado” (Carson, D.A. A Exegese E Suas Falácias –perigos na interpretação da Bíblia, op.cit.). Da mesma forma, a Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, ao comentar essa passagem, afirma: “Esta construção é futuro perfeito passivo parifrásico traduzido como ‘terá sido amarrado’, ‘terá sido solto’’’. E ainda observa: “É a Igreja na terra levando a efeito as decisões do Céu e não o Céu ratificando a decisão da Igreja”.


O SENTIDO CORRETO


Thomas ice e Robert Dean, ainda sobre esse texto, acrescentam: “Uma tradução que reforça esse sentido do original grego diria o seguinte: ‘Eu lhe darei as chaves do Reino dos Céus, mas o que você ligar na terra será aquilo que já foi ligado no Céus, e o que você desligar na terra será aquilo que já terá sido desligado nos Céus’’’. “Pedro deveria ligar coisas na terra, mas somente aquilo que já tivesse sido ligado no Céu. Pedro deveria estabelecer o padrão terreno de entrada no Reino do Céu, baseado no padrão que Deus já estabeleceu no Céu. Pedri deveria ser um mediador da Plavra de Deus entre Deus e o homem, esse padrão é o que Pedro afirmou em Mateus 16.16, que Jesus é ‘o Cristo, o Filho do Deus vivo’’’ (ICE, Thomas & Dean Jr Robert. Triunfando na Batalha. Editora Chamada da Meia Noite. Rio Grande do Sul, RS).

A NECESSIDADE DA APOLOGÉTICA

Como vemos, são interpretações equivocadas de passagens como a de Mateus 16 que provocam heresias e confusão na vida de muitos cristãos. Isso mostra a necessidade da praticar apologética em nossos dias. A defesa da fé evangélica bíblica se constitui uma das razões que justifica a necessidade da apologética. O teólogo Norman Geisler, em sua Enciclopédia de Apologética, enumera razões que justificam a necessidade da apologética:

1) Deus a ordena – Geisler argumenta sobre 1 Pedro 3.15,16: “Estar pronto não é só uma questão de ter a informação correta à disposição, é também a atitude de prontidão, e vontade de compartilhar a verdade sobre o que acreditamos”.


2) A Exigência da Razão – É pelo raciocínio que os humanos se distinguem dos “animais irracionais” (Jd v.10).


3) A necessidade do Mundo – As pessoas se recusam a crer em sem provas. Evidencias da verdade deve preceder a fé.


Há uma estreita relação entre apologética e as ciências da interpretação. Qualquer apologia que não se alicerça na hermenêutica e na exegese bíblica não pode ser considerada como apologia confiável. Por um lado, a hermenêutica é a ciência da interpretação e por outro, a exegese é a aplicação dos princípios da hermenêutica.



A exegese tem, portanto, o objetivo de extrair de um texto o Maximo do pensamento do autor. No dizer de Gordon D. Fee, “é descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia.

COMO PRATICAR O JEJUM BÍBLICO

O Jejum Bíblico - sua prática na Bíblia e na história da igreja.

Ao longo da história bíblica se percebe a importância que homens de Deus deram à prática do jejum. Fora das páginas sagradas a história registra que muitos cristãos demonstraram igual interesse por essa prática. A prática do jejum, portanto, é bem conhecida na história bíblica e na história da igreja. Dentro desse universo cristão opentecostalismo se sobressai aos demais seguimentos do protestantismo como aqueles para os quais a abstinência de alimentos ganha uma significação especial.
Mas apesar da prática do jejum ter entrado na história do povo de Deus como sendo algo benéfico à vida espiritual, algumas vozes dentro do protestantismo têm se levantado condenando essa prática. A alguns dias chegou-me as mãos um livro, na verdade um manual de doutrinas, pertencente a uma igreja da tradição evangélica brasileira. Resolvi ler o livro intitulado. Dentro das doutrinas analisadas naquele manual estava a prática do jejum. Ali estava escrito: “Vamos vê como é que uma igreja em graça vê a oração e o jejum. O jejum é um rudimento da lei judaica. É um costume judaico que a igreja católica incorporou, e, mais tarde, as igrejas protestantes copiaram. Na lei de Moisés a palavra “jejum” não é mencionada, e sim aflição da alma (...) O Cristão em graça não crê no jejum da carne como fonte de poder, de aperfeiçoamento espiritual, perdão, ou comunhão com Deus.
Quando foi perguntado a Jesus porque os seus discípulos não jejuavam, ele respondeu: “ Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento, enquanto está com eles o noivo? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, sim, jejuarão” ( Lucas 5:34-35). O jejum era um costume judaico, usado para castigar a carne, em sinal de luto, de tristeza, em dias de crises e lutas, que foi passado à igreja romana, etc. Mas o próprio Jesus disse que o jejum não era para os convidados às núpcias. Ele era o noivo, e enquanto estivesse presente não haveria necessidade de jejuar. Assim, Ele estava anunciando sua morte.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo de Deus veio fazer morada em nós, e por isso nós estamos permanentemente com o noivo. Não há, portanto, nenhum motivo para um cristão que vive na graça de Deus, jejuar. Ele possui toda a graça e a verdade no Cristo que está dentro do seu coração fazendo-o um com Ele. Jejuar seria o mesmo que dizer que a obra de Cristo não foi completa. Muitas pessoas pensam que o apóstolo Paulo jejuou por vontade própria, em busca de consagração, mas o contexto bíblico mostra que, na verdade, Ele, por estar passando por perseguições, não tinha como se alimentar. Em nenhum momento Paulo diz que jejuou para agradar a Deus ou pedir poder” . A seguir o mesmo autor cita os textos de 2ª Coríntios 6:4-6, 9-10 e 2ª Coríntios 11; 25-27, para comentar em seguida: “De novo, o contexto é de que o Ap. Paulo, que passava tantos desafios, não se alimentava.
Ele não se retirava a um quarto para jejuar e aproximar-se de Deus como muitos ensinam. O jejum, como forma de consagração ao Senhor, não é verdade bíblica, mas conceito de homens, logo não serve para nós, que já temos o noivo na nossa vida – somos a Sua noiva. Os judeus porque não O tem como Salvador, ainda jejuam”. Antes de darmos uma visão panorâmica acerca da prática do jejum nas histórias: bíblica, da igreja e pentecostal, convém fazer algumas ponderações sobre esta citação. 1. O autor diz que na lei de Moisés não é mencionada a palavra ‘jejum’ e sim ‘aflição da alma’. No entanto, uma linha antes ele já havia dito que ‘o jejum é um rudimento da lei judaica’. Vamos esclarecer o mal-entendido. A expressão ‘innâ naphshô (aflição da alma) é tida no texto hebraico como sinônimo de tsôn (jejum).
O Novo Dicionário da Bíblia corrobora essa assertiva dizendo: “Os vocábulos hebraicos são tsûm (verbo) e tsôm ( substantivo). A expressão ‘inna naphshô (afligir a alma) também se refere ao jejum”. Para que não fique nenhuma dúvida que essas expressões são tidas como sinônimas O Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, conceituada obra sobre o hebraico bíblico, comenta: “Certos dias do calendário eram consagrados a um jejum nacional, dos quais o mais destacado era o Dia da Expiação (Lv 16.29, 31; 23.27-32; o jejum está indicado na expressão ‘nh npsh, “afligir a alma”). Esse jejum praticado por ocasião do Dia da Expiação é citado nas páginas do Novo Testamento em Atos dos Apóstolos 27:9, onde se lê: “Depois de muito tempo, tendo-se tornado a navegação perigosa, e já passado o tempo do jejum ( gr. nesteian), admoestava-os Paulo”. Não há dúvida alguma que ‘inna naphshô (afligira a alma) e tsôm (jejum) referem-se a abstenção de alimentos. 2. O autor diz tambem que uma das razões pelas quais não devemos mais jejuar é porque o noivo ( O Espirito Santo) está conosco. Mais uma vez há um mal-entendido aqui, pois as Escrituras dizem claramente que o noivo é Cristo Jesus, e somente quando ele retornar na consumação do século para a sua noiva, a igreja, aí sim não haverá mais razão para jejuar. É o que diz o expositor bíblico Gleason Archer Júnior: “No entanto, quando o Senhor trouxer derradeiramente a salvação ao seu povo, os meses de jejuem serão transformados em festas de alegria e regozijo (Zc 8:19)” (Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas, editora Vida) 3. Foi dito que “não há, portanto, nenhum motivo para um cristão que vive na graça de Deus, jejuar”.
Pergunto: houve um apóstolo que viveu mais na graça de Deus do que Paulo? Pois a Escritura Sagrada diz que o apóstolo da graça achou motivo para jejuar: “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simão por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaem, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo. E, servindo ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me agora a Barnabé e a Saulo (outro nome de Paulo) para a obra que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (At. 13:1-3). Novamente encontramos o apóstolo dos gentios encontrando motivos para jejuar, observe: “E, promovendo-lhes em cada igreja a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido (At. 14:23). O homem que disse: “ pela graça sois salvos” ( Ef. 2:8), tinha como hábito a prática do jejum. 4. O autor diz que Paulo não jejuou, mas passou fome devido à natureza de seu trabalho. Em palavras mais simples, para ele Paulo não praticou o jejum voluntariamente. Os textos bíblicos citados anteriormente refutam essa afirmação (At. 13:1-3; At. 14:23). Quando falamos em jejum bíblico algumas perguntas necessariamente nos vem à mente: o que é o jejum? Por que jejuar? Quando e como jejuar?.
De acordo com o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento “jejuar é privar o corpo de ingerir alimento como sinal de que a pessoa está experimentando uma grande tristeza. O pesar é também expresso com choro e lamento e com o cobrir-se com pano de saco e cinzas (Et 4:3). Aquele que jejua diz com isso que está se afligindo a si mesmo ou à sua alma, i.e., o seu íntimo. Era possível jejuar em favor de outrem, por exemplo, o salmista pelos seus inimigos durante a enfermidade destes (Sl 35.13). Na maioria das vezes o jejum ia do nascer ao pôr do sol (cf. 2 Sm 1:12) e podia ser abstinência total ou parcial ( Sl 35.13; Dn 10:3). 8.1 O jejum no Velho Testamento O Velho Testamento revela ainda que o jejum podia expressar tristeza (1Sm 31:13; 2 Sm 1:12; 3:35; Ne 1:4; Et 4:3; Sl 35:13,14) e penitência (1 Sm 7:6; 1Rs 21:27; Ne 9:1,2; Dn 9:3-4; Jn 3:5-8); obter ajuda e orientação de Deus (Ex 34:28; Dt 9:9; 2 Sm 12:16-23; 2 Cr 20:3,4; Ed 8:21-23); o jejum podia ainda ser vicário ( Ed 10:6; Et 4:15-17). 8.2.
O propósito do jejum O jejum não tinha como propósito nos dias do Velho Testamento simplesmente privar o estômago de alimentos, mas demonstrar que aquele que jejuava estava humilhado e contrito diante de Deus. A Enciclopédia Judaica observa que os Profetas foram os que mais chamaram a atenção para esse fato: “Um dos significados tradicionais do jejum – como ato simbólico ou espiritual de uma pessoa devota – foi exposto, primeiramente, pelos Profetas. Como eles não eram formalistas ou tradicionalistas do ritual e sim idealistas religiosos-sociais, colocavam a maior ênfase, não no jejum como mortificação do sistema digestivo, mas no despertar, por meio dele, da consciência adormecida do indivíduo” (Enciclopédia Judaica) 8.3 O jejum no Novo Testamento No Novo Testamento as palavras mais freqüentes para jejum são as descritas pelos termos gregos nesteuo (jejuar); nesteia ( jejuar, jejum); nestis ( não comendo, jejuando). Russell Norman Champlin observa que o “Senhor Jesus jejuou em certos lances de seu ministério, como se vê em Mat. 4:1-4. Sempre o Senhor teve como implícito que seus ouvintes jejuariam, não tendo condenado a esse costume, mas ensinava aos seus seguidores que deveriam jejuar visando a glória de Deus, e não a fim de ostentarem diante dos homens (ver Mat. 6:16,18). O Senhor Jesus nunca ensinou aos seus discípulos a que não jejuassem, mas instruiu-os sobre um tempo mais apropriado para fazê-lo (quando ele se ausentasse deles, ver Mat. 9:14-17; Mar. 2:18-22 e Luc. 5:33-39)”. Ao falar dessa prática na igreja apostólica, Champlin ainda comenta: “No livro de Atos vemos os líderes cristãos a jejuarem quando da escolha de missionários, o que evidentemente era prática que aplicava o jejum como meio de buscar a orientação divina ( ver Atos 13:2,3 e 14:23).” (Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Editora Candeia) 8.4. O jejum no período pós - apostólico No período pós – apostólico a igreja continuava com o hábito de jejuar. Champlin observa ainda que “o jejum tornou-se um costume importante e regulamentado, na igreja cristã, antes do fim do século II d.C.
Após o século III d.C., tornou-se uma prática crescentemente ligada ao ascetismo. Os cristãos, no século II d.C., adotaram a prática farisaica de jejuarem duas vezes por semana, embora não o fizessem nem na segunda e nem na quinta-feira, porque esses eram os dias escolhidos pelos judeus com esse propósito.” Ao falar das práticas ascética e farisaica dos cristãos do século II concernente ao jejum, Champlin se refere a uma citação do Didaqué- ensino dos doze apóstolos, um manuscrito não-canônico escrito antes de 150 d.C. No capítulo oito desse texto se lê: “Vossos jejuns não tenham lugar (não sejam ao mesmo tempo) com os hipócritas; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuai na quarta-feira e na sexta, dia de preparação)”. Embora seja desprovido de valor canônico, o ponto a se destacar com esse registro histórico do Didaqué acerca do jejum, é que essa prática continuava no período pós-apostólico. 8.5. O jejum na história da igreja Os grandes pregadores e reformadores protestantes tinham como hábito jejuar. Jerry Falwell observa que “por toda a história, grandes homens de Deus buscavam seu poder e bênção através do jejum. Lutero, Calvino e João Knox foram homens que jejuaram. Jonathan Edwards jejuou vinte e duas horas antes de pregar seu famoso sermão: “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado”. A influência espiritual daquela mensagem não ficou restrita apenas à chama do avivamento que se alastrou pelas colônias da Nova Inglaterra, mas ainda hoje continua a acender a centelha do avivamento na vida de muitos cristãos. O evangelista Carlos Finney muitas vezes interrompia os cultos de avivamento, quando percebia que seu ouvintes estavam com o coração frio, e imediatamente proclamava um período de jejum e oração. Quando notava que Deus estava começando a aquecer o coração deles, continuava com as reuniões.” É ainda oportuno destacar a figura de João Wesley, o pai do metodismo. Wesley não consagrava nenhum obreiro para o Ministério sem que esse jejuasse pelo menos duas vezes por semana. (O Jejum Bíblico. Editora Vida) 8.6. Na história do pentecostalismo Que os pentecostais primitivos praticavam o jejum é fartamente documentado pela literatura. A obra The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements ao se referir à pratica do jejum pelos primeiros pentecostais, diz que o Jejum como uma “abstinência voluntária de nutrientes físicos para propósitos espirituais, foi praticado por pentecostais modernos no início do movimento.” Ainda de acordo com essa conceituada obra, os pentecostais clássicos ao jejuarem observavam os aspectos espiritual e prático do jejum: Ao se referir ao aspecto espiritual, a citada obra comenta: “Os pentecostais estavam dispostos a aceitar a prática de privação física com propósitos espirituais. Sendo que o jejum é perfeitamente bíblico o cristão sincero não pode negligenciá-lo”.
Essa mesma obra sublinha que dentro do aspecto espiritual do jejum se destaca o autocontrole ou domínio próprio e a fonte de poder espiritual. Ao falar dos aspectos práticos do jejum, prossegue a mesma obra afirmando que o jejum é um acompanhamento necessário no exercício dos dons espirituais, em particular o dom de cura. Observando que: “Embora cada tipo de avivamento tenha sido acompanhado por um período de jejum privado e congregacional, a ocorrência da cura e milagres tem sido especialmente acompanhado por igual devocional.” 8.7. Jejum: disciplina espiritual ou legalismo? É notório que a prática do jejum na igreja hodierna vem arrefecendo-se. A desculpa dada é que o jejum nada mais é do que uma forma de legalismo. No entanto, muitas vozes dentro do cristianismo ortodoxo vem chamando a atenção dos crentes para esse equívoco. Warren Wiersbe ao falar do valor do jejum como disciplina espiritual, comenta: “Houve um tempo na história da igreja que os cristãos se deleitavam em discutir a disciplina espiritual da vida cristã; mas, hoje em dia, qualquer coisa que cheire a disciplina é rotulada de “legalista” e estranha aos ensinos do Novo Testamento sobre a graça. Os cristãos contemporâneos não têm tempo para disciplinas espirituais como adoração, jejum, oração, meditação, auto-exame e confissão. Estamos muito ocupados, indo de uma reunião a outra, procurando atalhos seguros para a maturidade (...) Uma das razões de o jejum ser eficaz é que há uma estreita relação entre o físico e o espiritual. Quando o corpo é disciplinado, como durante o período de jejum, o Espirito Santo tem a liberdade de esclarecer a mente e purificar as intenções, tornando nossa oração e meditação muito mais poderosas.
Ele pode usar períodos de jejum para santificar nossa vida e glorificar ao Senhor”. (Vitória Sobre a Tentação, Editora Mundo Cristão) Uma palavra final de advertência acerca dos erros e perigos que acompanham a prática do jejum nos é dada por escritores pentecostais. Fique atento a estas recomendações que nos dá a obra The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Moviments: 1. Não se deve jejuar como fonte de justiça própria (Lc 18:11-12), 2. Não se deve jejuar com propósitos meramente sociais. 3. O jejum não deve ser praticado para demonstrar piedade religiosa. 4. O jejum não deve ser feito com o propósito de causar impressão a Deus e ao homem. O jejum é uma prática genuinamente bíblica e foi praticada tanto por crentes da Antiga como da Nova Aliança. O jejum não muda Deus, que continua o mesmo antes, durante e depois do jejum. O jejum nos muda, já que nos deixa mais sensíveis ao Espírito Santo. O cristão que vive em graça não nega os resultados benéficos que essa prática produz.

A Queda de Lúcifer - como estudar e interpretar a Bíblia

..MAS A GRAMÁTICA PODE AJUDAR!

"Eu vi Satanás caindo do céu como um relâmpago" (ARC - Lc 10.18).

Escrevi recentemente que nem todo problema de interpretação do Novo Testamento se resolve com base no conhecimento da gramática grega. Há muitas coisa que estão além das regras gramaticais. Deu muito o que falar! Todavia quero aqui mostrar o outro lado da questão: SOMENTE A GRAMÁTICA GREGA NÃO RESOLVE, MAS AJUDA BASTANTE! A propósito, muitos interpretações mirabolantes da Bíblia seriam evitadas se seus inventores conhecessem a gramática das línguas originais da Bíblia. Vejamos um exemplo prático.

Já vi muita gente pregar baseado no texto acima e usá-lo como texto prova da queda cósmica de Lúcifer sobre a terra. Em outras palavras, esses pregadores entendem que a queda de Satanás aludida aqui é a mesma à qual Isaías e Ezequiel fazem referência (Is 14.12; Ez 28.13-17). Assim ensina, por exemplo, a Bíblia do Expositor de Jimmy Swaggart.
Mas o fato é que esse texto não está fazendo alusão à queda cósmica de Lúcifer, mas ao exorcismo praticado pelos discípulos de Jesus (Lc 10.17). E como sabemos disso? Por que o tempo verbal grego usado aqui é o imperfeito, que significa uma ação contínua no passado! Então o correto é eu VIA (imperfeito) e não eu VI (perfeito). 

As traduções antigas como, por exemplo, a Almeida Corrigida, davam margem para a interpretação da queda cósmica de Lúcifer quando traduziam EU VI SATANÁS CAINDO DO CÉU. A versão Almeida Atualizada corrigiu esse equívoco e pôs "VIA" em lugar de "VI" (As versões mais modernas Almeida Revista e Corrigida também já trazem VIA em lugar de VI).

Pois bem, vamos explicar melhor essa questão. Na verdade uma paráfrase desse texto ajuda melhor: "EU VIA SATANÁS CAINDO DO CÉU REPETIDAMENTE TODA VEZ QUE VOCÊS EXPULSAVAM OS DEMÔNIOS".

Melhorou? Calma, a CHAVE LINGUÍSTICA DO NOVO TESTAMENTO GREGO lança mais luz sobre o assunto que ajudará no seu entendimento:

"O imperfeito indica aquilo que era constantemente repetido. Cada Expulsão de demônios importava numa queda de Satanás" (pg. 126).


Então quando pregar sobre a queda de Satanás, diga que ele de fato caiu do céu, mas não use esse texto como prova. Diga que esse texto mostra que toda vez que um demônio é expulso e uma vida é liberta, então Lúcifer caiu junto com seus demônios! 

Como Estudar e Interpretar a Bíblia

SOMENTE A GRAMÁTICA NÃO RESOLVE!

"Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que a ESTES?" (Jo 21.15).


É natural que todo principiante no estudo das línguas originais da Bíblia, especialmente do grego neotestamentário, pense que conhecendo as regras gramáticas que regem esse idioma, irá resolver todos os problemas de exegese e de interpretação do texto bíblico. Isso simplesmente não vai acontecer! E por que não? Porque nem sempre o entendimento de determinado texto depende exclusivamente de regras gramaticais.
Isso fica claro no texto citado acima. A pergunta é: A quem Jesus estaria se referindo quando usou o vocábulo ESTES? "Estes peixes" que haviam acabado de pescar? ou "Estes discípulos", companheiros de Pedro?

Muitos se arriscam e dizem logo: ESTES DISCÍPULOS"; Outros no, entanto, dizem que é ESTES PEIXES! Como resolver a questão? É aí que começa o dilema do estudante dos originais da Bíblia.

Consultando o texto grego, ele descobre que no original a palavra ESTES é a tradução do vocábulo grego TOÚTWN. Ora TOUTWN é um pronome demonstrativo. Se a terminação do pronome estiver no gênero masculino, então a referência será a ESTES DISCÍPULOS, mas se estive no gênero neutro, então a referência será a ESTES PEIXES. Fácil? Nem tanto! O problema é que as terminações dos gêneros masculinos e neutro são idênticas no grego bíblico. Então gramaticalmente a referência pode ser tanto aos discípulos como aos peixes!

Quem resolverá então a questão? Roberto Rana em sua obra AYUDA GRAMATICAL PARA EL ESTUDIO DEL NUEVO TESTAMENTO GRIEGO (Ajuda Gramatical para o Estudo do Novo Testamento Grego), diz que o juiz de toda questão interpretativa é o contexto. Então somente analisando o contexto para saber se Jesus estava se referindo a ESTES DISCÍPULOS ou a ESTES PEIXES!


Bem, eu particularmente acho que é a ESTES PEIXES! E você, o que que acha?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MMA, UFC - O ESFRIAMENTO DA IGREJA

DE BARRIGA CHEIA

"A alma farta pisa o favo de mel, mas a alma faminta todo amargo é doce" (Pv 27.7).


A igreja evangélica brasileira tem entrado em um processo generalizado de esfriamento. O esfriamento está presente desde o púlpito até aos bancos! Tudo parece frio! Há pastores frios, há membros frios também! Muitos cultos parecem apáticos e sem vida! Por quê? Porque a igreja está com a barriga cheia! Há centenas de crentes que não apresentam mais apetite para o sagrado porque suas barrigas estão cheias das iguarias e baboseiras do mundo!
Basta ver algumas postagens no face para perceber isso! Como pode uma igreja ser quente espiritualmente se a preocupação dos seus membros, e de seus pastores também, é com a lutas de MMA e UFC! Como pode o Espírito Santo se manifestar numa igreja onde seus membros ficam até tarde da noite para vibrarem com as agressões violentas apresentadas nesses espetáculos, que se travestem de esporte! Não vejo e nunca vi MMA, UFC como esportes, mas com uma manifestação das obras da carne (Gl 5).

Quando os crentes estão com a barriga cheia, o mundo costumam ver o Evangelho apenas como:
1. UM PRODUTO CULTURAL - Uma igreja mundanizada, onde os seus membros dizem que vão fazer churrasco para comemora um incrédulo massacrar um outro, não pode esperar que o mundo a veja como igreja de Cristo. O mundo a verá apenas mais como uma manifestação cultural como as dezenas que ele já conhece. É uma igreja, fria, sem sal e sem luz. Coitada da sociedade que está cercada de uma igreja assim. Morrerá pagã, e irá para o inferno porque esta igreja não lhe pregará o verdadeiro evangelho por ser anêmica!

2. NÃO VERÁ NADA DE NOVO NA PREGAÇÃO - O evangelho pregado por esse tipo de igreja e por seus pastores é um evangelho contextualizado, não segundo a Bíblia, mas segundo o mundo. Ele se ajusta a modelo mundano para poder gozar também dos seus prazeres. A pregação é filosófica, sociológica e psicologicamente adaptado ao consumo público. É um tipo de pregação que não fala em pecado, não denuncia o MMA e o UFC como paganismo porque é comprometido com ele. Não denuncia o divórcio porque seus pastores são divorciados; não denuncia o suborno porque seus pastores e seus membros também subornam. É uma pregação que em nada difere do mero discurso!

3. NÃO PASSA DE MAIS UMA FORMA ALTERNATIVA DE EVANGELHO - É um evangelho cansado! É similar e genérico. Tanto faz como tanto fez, porque há outras formas que podem substituí-lo. Para que um pastor como conselheiro se um psicólogo pode fazer o mesmo? Não trata com o pecado, mas apenas com seus efeitos, suas manifestações. Esquece que o problema do homem não meramente psicológico, mas espiritual.


Que Deus tenha misericórdia de nós.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Podemos mandar, exigir ou determinar alguma coisa a Deus?

PETIÇÃO OU DETERMINAÇÃO?


Esse ensino se tornou mais um modismo no meio evangélico, sendo fácil encontrá-lo tanto nas mensagens de grandes pregadores como de cantores.
É um fato também que esse ensino tem causado muitas controvérsias; nem sempre os crentes têm entendido a suposta diferença entre !petição" e "determinação". Há relatos de crentes que migraram para outra igreja por entenderem que a sua igreja de origem ocultou-lhes a verdade, não lhes ensinando a importante doutrina da "determinação".
Sabedor das dificuldades que esse ensino tem causado na comunidade evangélica, R.R. Soares tem, ultimamente, tentado suavizá-lo. É o que percebemos quando um dos seus leitores indaga na Revista Show da Fé, na seção "minha resposta".
Em João 14.13,indaga o leitor, está escrito: " E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho". Dizem que a tradução correta não é PEDIRDES, mas DETERMINARDES. Se isso é verdade, a pessoa pode determinar que o mal saia de sua vida ou ocorra uma bênção profissional ou material? A pessoa pode determinar aquilo que quiser?"

Ali, Soares respondeu:

" O âmago dessa questão não é, simplesmente, uma questão de tradução - se é "pedir" ou "determinar", mas aquilo que é pedido ou determinado. Toda promessa bíblica é verdadeira e autêntica, pois aquEle que a faz é a Verdade (Jo 14.6; 17.17). Nosso equívoco, muitas vezes, é não prestar atenção no contexto da promessa em que estão colocadas as condições necessárias para que a bênção se cumpra. Nesse caso, o contexto começa no versículo 12: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que cr~e em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai" (Jo 14.12). Ou seja, aquilo que determinamos se realizará, pois será para fazer a obra de Deus, e não para satisfazer o nosso ego ou nossa ganância. Sobre isso, o apóstolo Tiago não podia ser mais direto, quando disse: "Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar, combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis. Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.2-4b). O restante do contexto da maravilhosa promessa aludida na pergunta está na frase final dela mesma: "Para que o Pai seja glorificado no Filho". Algo que não glorifique ao Pai na pessoa do Senhor Jesus Cristo jamais se tornará realidade como cumprimento da Palavra, pois a bênção somente ocorre quando promove a glória devida ao Senhor. Jesus ensinou isso quando vinculou a necessidade de estarmos nEle e sua Palavra em nós, para que nossa oração fosse sempre respondida afirmativamente: "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" (Jo 15.7).

Na resposta dada por R.R. Soares, fica evidente que há uma tentativa de se minimizar a celeuma criada por esse ensino no meio evangélico. Todavia, Soares já havia escrito em seu livro COMO TOMAR POSSE DA BÊNÇÃO, como de fato ele entende essa passagem:
Ali, ele escreveu:

"AQUI ESTÁ A GRANDE REVELAÇÃO. ESTA PALAVRA PEDIRDES ESTÁ MAL TRADUZIDA. DEVERIA TER SIDO TRADUZIDA POR DETERMINARDES. O VERBO TRADUZIDO DA LÍNGUA GREGA POR PEDIR TEM O SENTIDO DE DETERMINAR, EXIGIR, MANDAR. EM OUTRAS PALAVRAS, NÃO PRECISAMOS PEDIR AO SENHOR A BÊNÇÃO, E SIM EXIGIR QUE ELA SE MANIFESTE EM NOSSA VIDA. AQUI RESIDE PRATICAMENTE METADE DO SEGREDO DO SUCESSO NA VIDA ESPIRITUAL. EXIGIR A BÊNÇÃO QUE, SEGUNDO A PALAVRA, JÁ É NOSSA, É SIMPLESMENTE CONCORDAR COM O SENHOR E NÃO DEIXAR O DIABO FICAR COM AQUILO QUE NOS PERTENCE".
 .
Esses comentários contraditórios de Soares acabam por deixar o leitor confuso, pois enquanto um afirma uma coisa, o outro contradiz totalmente o que foi dito anteriormente. 
Não me entenda mal, não tenho nada contra a pessoa de R.R. Soares, a meu ver entre os neopentecostais ele é o que menos inovações apresenta. Todavia acredito que sua doutrina precisa ser corrigida em alguns pontos, como, por exemplo, o que está sendo feito aqui.

Pois bem, será que de fato nossas Bíblias traduzem esse termo equivocadamente? O correto é "pedir" ou "exigir" algo a Deus?

o verbo grego AITEO traduzido em nossas Bíblias com PEDIR ocorre 70 vezes no texto grego. Em nenhuma passagem do Novo Testamento grego essa palavra possui o sentido de DETERMINAR, MANDAR OU EXIGIR. O clássico dicionário do Novo Testamento grego de Vine, citado frequentemente por Kenneth Hagin e R.R. Soares, por exemplo, comenta esse termo da seguinte forma: "Pedir (aiteo), se deve distinguir de EROTAO. Sugere com maior frequencia A ATITUDE DE UM SUPLICANTE, a petição de UM INFERIOR EM RELAÇÃO AQUELE A QUEM SE DEVE FAZER A PETIÇÃO, por exemplo, no caso de homens pedindo algo a Deus (Mt 7.7); de um filho a um progenitor (Mt 7.9); de um súdito a um rei (At 12.20); dos sacerdotes e o povo a Pilatos (Lc 23.23); de um mendigo a um viajante (At 3.2). Por outro lado, Etelbert Bullinger em seu léxico grego analítico traduz como "rogar", "implorar", "suplicar", acrescentando: "IMPLICA UMA DISTINÇÃO EM POSIÇÃO E CIRCUNSTÂNCIA ENTRE AS PARTES, E EXPRESSA A PETIÇÃO DE UM INFERIOR PARA UM SUPERIOR".
Há outras passagens que ilustram isso:"E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir (aiteo) um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma serpente?" (Lc 11.11). Aqui fica claro que o filho não "determina", não "exige", nem tampouco "ordena" que seu pai lhe dê um peixe. Em Mateus 20.20 está escrito: "Então, se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido (aiteo). Não podemos aceitar a ideia de que a mulher de Zebedeu estava "determinado" a Jesus, quando glorificado, que permitisse que seus filhos se sentassem um a sua direita e outro a sua esquerda. Por duas razões: primeira, o texto é claro em dizer que ela "adorando-o" pediu. Isso significa atitude de reverência e súplica, e me segundo lugar porque o pedido não foi atendido.

A ideia, portanto, de usar esse verbo com o sentido de "determinar", "mandar", "ordenar" não é bíblica. Os eruditos põe sempre commo primeiro significado de AITEO o termo "pedir" ou "suplicar"; outros observam que é "no grego profano", que AITEO signfica também "exigir". Foi desse último significado que o norte-americano P.C. Nelson extraiu a ideia de "exigir" passando posteriormente para Kenneth E. Hagin e deste para R.R. Soares, culminando na doutrina da determinação ou do direito legal dos crentes. 
Acredito que o cristão deve sim ser determinado em sua fé e específico em suas orações, mas isso não lhe dá o direito de exigir de Deus nenhuma de suas bênçãos como se Ele tivesse ficado prisioneiro de leis que criou. Para recebermos a concretização das promessas que Deus nos prometeu não necessitamos de nenhum mantra, mas apenas da fé inabalável em sua santa Palavra. 


(Extraído do meu livro: DEFENDENDO O VERDADEIRO EVANGELHO, CPAD, 2009, pp.171-174).